segunda-feira, 25 de agosto de 2008

MARCHA CONJUNTA PARA A MUDANÇA DE MENTALIDADES

Walter Luís dos Santos

MARCHA CONJUNTA PARA A MUDANÇA DE MENTALIDADES

Angolanos de Cabinda ao Cunene, é sabido por todos que a actual campanha eleitoral não tem sido tão pacífica como se era de esperar. Diariamente ouvimos declarações de dirigentes, militantes e apoiantes dos partidos e coligações concorrentes, ataques verbais e até mesmo físicos têm sido denunciados, acusações ao partido no poder apontam para uma pré fraude fundada no domínio que este detém na CNE, CIPE, TC e outros órgãos do Estado.

Os programas (tempos de antena na TPA) partidários chegam ao nível de disputas pessoais ou de elites que disputam entre si o poder político e económico do país, salvaguardando por essa via os seus interesses em detrimento do interesse nacional que se dirige ao real desenvolvimento para todos nós.
Este momento, deve sob pena de mais uma desilusão, ser aproveitado para criar um ambiente de aprendizagem democrática séria que só será possível se coexistirmos pacificamente em todo nosso espaço geográfico e não só.

A nossa história recente vem comprovar que não temos aproveitado da melhor maneira as oportunidades que nos foram dadas pelos acordos de Alvor de 1975, Bicesse de 31 de Maio de 1991 e Protocolo de Lusaka de Novembro de 1994 entre outros, porque a procura pela paz militar foi sempre colocada em primeiro plano, remetendo para segundo plano a verdadeira paz que é a paz civil que além do desarmamento bélico exige a mais profunda, real e massifica entrega de cada elemento pensante que conforma um todo que se chama Angola, elementos esses espiritualmente desarmados.

Infelizmente, tenho notado que os jovens, pelas diversas necessidades que enfrentam têm sido alvo fácil do assédio monetário e não só de vários partidos, vendendo o seu voto por tão pouco que chega a dar dó. Muitos destes não tiveram (têm) sequer o mínimo acesso ao programa do partido pelo qual se mostram até certo ponto fanáticos, o que só prova que estão a lutar por algo que não conhecem na íntegra. Estes não são culpados pelo papel ridículo a que estão sujeitos, porque, sejamos realistas, certos partidos deixam muito a desejar no que toca ao aspecto organização, formação e informação dos militantes, simpatizantes e até mesmo de alguns dirigentes que reflectem um flagrante descompasso partidário. Os exemplos que lhes são dados em termos de carácter político não são dos melhores, temos vários políticos que apesar do direito que lhes é reconhecido de se associarem a qualquer partido, demonstram-se autênticos mutantes, dando razão àqueles que sempre os apontaram como seguidores fanáticos do erário público pertencente a todos, concorrido por muitos e alcançado por alguns bem identificados.

Essas atitudes só poderão ser afastadas se adoptarmos um Código de convivência nacional.
Aos 5 de Janeiro de 1992 foi publicado no JA (Jornal de Angola) um Artigo de opinião da autoria do ilustre Gentil Viana o Maítre como era carinhosamente tratado pelos amigos (que Deus o guarde), com o título acima citado (código de convivência nacional) que era direccionado às forças envolvidas no processo eleitoral com vista a estas implementarem regras de conduta de cariz voluntária, ou seja, não coercivas que visassem o maior grau de coexistência possível (regulando as relações) entre os cidadãos em geral e os apoiantes dos partidos em especial que na altura dominavam a política nacional (MPLA e UNITA). Não há memória de tal opinião ter sido acatada e os resultados são por todos conhecidos. Embora se reconheça que o regresso ao confronto armado é uma possibilidade afastada. Por um lado há interesses económicos já alcançados que devem ser assegurados, sejam quais forem estes interesses e os reais beneficiários e por outro a sempre irrequieta Comunidade Internacional que está com os olhos postos em nós, tudo fará nesse sentido. Porém, o futuro pode nos reservar a tão apregoada caça as bruxas se os ânimos continuarem a ser exaltados. Será que estamos preparados para uma real alternância no poder? Será que o MPLA que detém não só o poder político mas também o económico nas mais diversas áreas entregará de facto o poder a um possível substituto? Será que levantarão a cabeça se perderem a praga da maioria absoluta?

Eu cá tenho as minhas dúvidas, e creio que o cepticismo é geral.

Para que o processo tenha o sucesso almejado, sou de opinião que a sociedade civil deve desempenhar um papel mais activo, exigindo que os políticos adoptem o sempre descorado Código de convivência nacional.

Esse processo de pacificação das mentes deveria (deverá) começar pelas igrejas, devido o papel que desempenham, associada a essa força deverá estar a estudantil, mormente a universitária que congrega toda a força juvenil e a essa não se desassociaria a massa partidária que em peso deverá caminhar pelas ruas da capital e não só, exigindo dos políticos uma maior responsabilidade quanto ao processo que decorre, que a conduta destes seja mais recta, que afastem as actuais ameaças e que não utilizem nas suas campanhas o álcool como factor de chamariz da camada mais jovem e que os possíveis vencedores declarem que não haverá perseguições e os possíveis vencidos saibam reconhecer a derrota com a maior dignidade e urbanidade possíveis, sob pena de mais uma vez perdermos a oportunidade de alcançarmos a verdadeira paz.

Proponho que dias antes da data marcada para a votação, todas essas forças envolvidas no processo saiam às ruas numa marcha conjunta pacífica e organizada.

APELO: Não importa a religião a que pertenças, se a tua universidade é a pública (UAN) se és de alguma privada, se és do MPLA, UNITA, PRS, FPD, PADEPA, FNLA ou outro partido (desculpa se não citei o teu), não importa se és da baixa ou da periferia, se os teus parentes estão na diáspora e não vão votar, se fazes parte de algum órgão da comunicação social, seja pública ou privada deves tal como eu enquanto cidadão angolano acreditar que podemos caminhar todos juntos e exigir que o processo tenha um desfecho favorável a todos, afirmando assim a nossa natureza especial e servindo de exemplo para África.

Este projecto (proposta) não passará de uma utopia se não tentarmos pelo menos passar a mensagem, dermos a nossa opinião, convidarmos todos aqueles que acreditam numa Angola melhor. Tu que és padre, professor, jornalista, médico, jurista, enfim, pai, mãe, jovem dessa Angola, peço-te por favor que participes da marcha que se propõe organizar (tenho fé que pode se tornar uma realidade), para que todos angolanos vivos ou já tombados se sintam representados em nós e possamos enfim dizer que somos livres e podemos mudar a nossa mentalidade actual e prever a futura. O tempo urge mas se houver vontade de todos será possível marcharmos.
Ps: O dia da marcha poderá, salvo opinião contrária, ser o dia 30 de Agosto de 2008.

Walter Luís dos Santos

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