terça-feira, 19 de agosto de 2008

Novo impasse nas conversações sobre o Zimbabwe


Cimeira da SADC: Novo Impasse nas Conversações sobre Zimbabwe
Por Filipe Vieira 17/08/2008
Fracassou o mais recente esforço feito pelos líderes da África Austral de mediar um acordo entre governo e oposição, no Zimbabwe. A iniciativa ocorreu no âmbito da cimeira regional da SADEC. As conversações serão retomadas em data e lugar ainda não especificado.
O ministro angolano dos Negócios Estrangeiros, João Miranda, afirmou que uma reunião do chamado “Órgão de Paz e de Segurança” da SADC conseguiu aproximar os líderes zimbabweanos, mas não foi possível colocá-los totalmente de acordo.
João Miranda disse que o presidente Robert Mugabe e o líder do maior partido da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática, Morgan Tsvangirai, não conseguiram chegar a acordo sobre os poderes a atribuir aos cargos de presidente e de primeiro-ministro.
Um destacado elemento do Movimento para a Mudança Democrática, que pediu para não ser identificado, disse à VOA que o seu partido quer o cargo de primeiro-ministro, que deverá ser atribuído a Tsvangirai, mas quer também que o chefe do futuro governo tenha autoridade suficiente para poder governar, que implica ter autoridade para nomear e demitir os seus ministros.
Ainda segundo aquela fonte, o partido de Tsvangirai quer também que o período de transição para um futuro governo de unidade nacional tenha o limite de dois anos e meio.
Espera-se que Mugabe retenha o cargo de presidente e ele próprio também quer ter autoridade para exercer as sua funções. E quer um período de transição de cinco anos.
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, mandatado no ano passado pela SADC para mediar as conversações, aproveitou a oportunidade desta cimeira para elevar as conversações ao nível do “Órgão de Paz e de Segurança” da SADC, geralmente conhecido como a “troyka”, que é liderada por três chefes de Estados regionais numa base rotativa. Neste momento, a “troyka” é formada pelos presidentes de Angola e de Moçambique e pelo rei da Swazilândia.
Mbeki disse, depois das conversações terem fracassado, que deverá ser obtido um acordo pelo inteiro colectivo dos líderes zimbabweanos e esse acordo deve passar a ser responsabilidade de todos eles. Mbeki fez notar que qualquer solução que seja imposta a partir do estrangeiro não irá durar.
Mbeki disse ainda que poderá ser necessário reunir o Parlamento do Zimbabwe enquanto as conversações prosseguem para – segundo disse - “pôr em prática a vontade do povo, tal como esta foi expressa nas eleições parlamentares realizadas no dia 29 de Março de 2008”.
Entretanto, Tendai Biti, o secretário-geral do Movimento para a Mudança Democrática, disse depois da cimeira ser crítico que as conversações sejam concluídas depressa e que o fracasso não é uma opção aceitável.”

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