quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Obama diz que deixou de fumar porque "tinha medo da mulher"

NOVA YORK, 24 Set (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que deixou de fumar pela mesma razão de muitos maridos: "medo da mulher". A confissão do presidente a respeito da primeira-dama, Michelle Obama, foi captada por um microfone aberto durante conversa com uma autoridade da ONU em Nova York, na segunda-feira. Obama disse que não fuma há seis anos. O presidente masca um chiclete para reduzir o desejo por nicotina. (Reportagem de Steve Holland) http://br.reuters.com/article/entertainmentNews/idBRSPE98N02420130924

Dilma é dura ao criticar na ONU espionagem dos EUA, diz que Brasil vai se proteger

Por Daniel Trotta NAÇÕES UNIDAS, 24 Set (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff criticou com veemência os atos de espionagem dos Estados Unidos em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, e disse que o Brasil vai redobrar os esforços para se proteger dessas interceptações. A presidente defendeu ainda que se criem condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como "arma de guerra". Dilma disse que o Brasil fará a sua parte com legislação, tecnologias e mecanismos que protejam o país de interceptação ilegal de comunicações e dados. "Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o Direito Internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles", disse Dilma na abertura da 68ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Dilma protestou contra os atos de espionagem sofridos por empresas e cidadãos brasileiros e pela própria Presidência da República e disse que não se sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a "proteger as nações contra o terrorismo". "O Brasil sabe proteger-se. Repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas", disse a presidente, lembrando que o Brasil é um país democrático. "O terrorismo merecerá sempre nossa condenação e nossa firme determinação em combatê-lo. Jamais transigiremos com a barbárie." A presidente adiou visita de Estado que faria a Washington no mês que vem após denúncias de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou emails, mensagens de texto e telefonemas entre a presidente e assessores, de cidadãos e redes de computadores da Petrobras. "Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos dos cidadãos de outro país", disse. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estava a caminho da ONU enquanto Dilma falava. Depois da presidente, Obama foi o segundo líder de uma nação a falar na assembleia-geral e evitou fazer referências diretas às críticas feita pela presidente brasileira. "Iniciamos uma revisão da maneira que coletamos inteligência para equilibrar adequadamente as legítimas preocupações de segurança de nossos cidadãos e aliados, com as preocupações com a privacidade que todos nós compartilhamos", disse Obama, que concentrou seu discurso principalmente na crise na Síria e na perspectiva de uma abertura diplomática com o Irã. O Brasil tradicionalmente faz o discurso de abertura. Esta é a terceira vez que Dilma participa da reunião anual. SITUAÇÃO MAIS GRAVE Segundo denúncias divulgadas pela TV Globo, com base em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden, a agência do governo norte-americano espionou comunicações no Brasil, incluindo da própria presidente. Informações divulgadas por Snowden dão conta que comunicações de outros cidadãos e países também teriam sido monitoradas. Segundo Dilma, essas revelações "sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial". "No Brasil, a situação foi ainda mais grave, pois aparecemos como alvo dessa intrusão", disse Dilma. A presidente lembrou no discurso que o país exigiu uma explicação dos Estados Unidos sobre o episódio. Apesar de ter se reunido com Obama, à margem de uma reunião do G20 na Rússia, e de ter falado ao telefone com ele, o Brasil considerou não ter recebido uma solução satisfatória, o que a fez adiar a viagem de Estado e levar a questão à ONU. "Fizemos saber ao governo norte-americano nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão", afirmou no discurso. A presidente lembrou ainda que a ONU deve desempenhar um papel de liderança no esforço de regular o comportamento dos Estados com relação à Internet. "Por essa razão, o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da Internet e de medidas que garantam uma efetiva proteção dos dados que por ela trafegam", afirmou. http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE98N05M20130925?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Angola and Regional Integration

Por: Belarmino Van-Dúnem O Processo de integração regional visto do ponto de vista económico tem como principal objectivo criar blocos económicos para uma maior interacção entre as economias dos Estados aderentes. A proximidade territorial ou geográfica tem sido o principal critério para a formação de novas organizações tanto política como meramente económicas. Mas a similitude cultural, religiosa e até mesmo política podem estar na base da emergência de comunidades económicas denominadas regionais, mas que transvazem a territorialidade ou proximidade geográfica. Embora se pense que o pensamento e a intenção de se desenvolver o processo de integração económica em África seja uma novidade ou consequência do fim da guerra fria, na verdade os africanos foram pioneiros na tentativa de criar uma comunidade económica africana. As primeiras organizações desta índole apareceram em África, organizações cujo objectivo era a cooperação e integração económica em todas as vertentes económicas, quando noutras latitudes do globo, o pensamento era político e a nível da economia, as organizações tinham um carácter sectorial ou específico. É o caso dos Estados Unidos da América que se trata de uma união política e da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) instituída em 1951, apresentando-se como a génese da actual União Europeia. O grande debate a volta da integração regional gira em torno de dois paradigmas teóricos: O primeiro está estritamente ligado ao supranacionalismo que se baseia nos pressupostos da teoria neo-funcionalista. Nesta teoria o enfoque principal é dado as instituições centrais criadas especificamente para dinamizar o processo de integração regional, através das quais se põe fim às tendências de competição que existem entre unidades políticas separadas (Estados Soberanos). Segundo o grande teórico do neo-funcionalismo Ernst Haas (1987), a integração regional é o processo pelo qual os actores políticos de diferentes proveniências nacionais são levados a transferir as suas lealdades, expectativas e actividades políticas para um novo centro, cujas instituições possuem, ou reivindicam, jurisdição sobre os Estados nacionais preexistentes. O resultado final de um processo de integração política é uma nova comunidade política, que se impõem as comunidades preexistentes. Este tipo de tendência leva a crer que o processo de integração económica tem como fim a união política dos Estados e consequentemente o bem-estar geral, facto que ainda está por se provar, sobretudo depois das dificuldades que a Comissão da União Europeia tem enfrentado para implementar determinados dossiers e a actual crise que algumas economias da comunidade atravessam com a relutância dos restantes membros da comunidade em assumir de forma comunitária as consequências. Mas, por outro lado, a intransigência dos cidadãos em cumprir com as directrizes emanadas a partir de Bruxelas como condição para ajudar os Estados a combater os elevados défices ficais. A segunda corrente de opinião está estritamente ligada à teoria intergovernamentalista que vê o Estado como referência de todo o processo de integração. A cooperação interestatal com os interesses nacionais a sobreporem-se enquanto motores para o processo de integração, neste quadro há um retorno ao realismo nas relações entre as unidades regionais. Portanto, os aspectos técnicos ficam secundarizados relativamente aos interesses políticos ou nacionais. No continente africano, o debate também girou a volta destes dois aspectos. Alguns nacionalistas defendiam uma integração imediata dos Estados através da criação de um governo federal, a então chamada teoria do “top down”. Por outro lado, estava o grupo de nacionalistas que defendiam um processo de integração gradual, por fases, com a finalidade de se chegar à união política, este pensamento está exposto no Plano de Lagos adoptado em 1980, mas outras perspectivas já haviam sido postas em prática. A primeira União Aduaneira de iniciativa africana que se conhece é a SACU (1889, 9869), União Aduaneira da África Austral com a África do Sul no centro de todo o processo; União Económica e Aduaneira da África Central (1964); Comunidade dos Estados o Oeste Africano (1967); União Aduaneira dos Estados da África Ocidental (1966); dentro das iniciativas para a integração em África nos anos 60, também deve-se incluir o Banco dos Estados da África Central (1961). Nos 80 surgiram muitas outras das quais Angla, já independente, aderiu na primeira oportunidade que teve. A SADCC criada em 1980 teve a adesão de Angola desde a primeira hora. Numa primeira fase, a Conferência tinha como principal objectivo atenuar a influência económica da África do Sul na região e no continente de forma geral. Em 1980 a SADCC foi transformada na SADC onde ficaram incluídos tanto os Estados da SACU como da SADCC, para além de outros Estados que foram aderindo. Mas as circunstâncias ditaram que Angola aderisse também a Comunidade Económica do Estados da África Central criada em 1993. As duas organizações acima descritas e de que Angola faz parte como membro de plenos direitos e, sem grande margem de errar, o país tem condições de se transformar num dos Estados directores dessas organizações. Esta pretensão legítima de Angola, estão espelhadas em documentos estratégicos como a Agenda Nacional de Consenso, nos Discursos oficiais e nas acções que têm sido levadas a cabo tanto pelo executivos e demais actores que concorrem para as relações internacionais de Angola de modo geral. Mas para que esse desidrato seja executado com eficiência e eficácia o país tem que se organizar e estruturar de modo a não interagir com os restantes Estados. O primeiro passo nesse sentido e a elaboração, discussão e aprovação de uma estratégia para a Política Externa nacional; eleger critérios abrangentes para a eleição dos Estados estratégicos para o país e desenvolver uma estratégia específica para cada um deles segundo o pressuposto levado em conta; laboração de uma agenda nacional de divulgação dos objectivos do país em cada uma das regiões onde está inserida e para os restantes parceiros internacionais. A nível das estruturas urge a necessidade de criar uma Secretária de Estado Nacional de integração regional com a finalidade de coordenar as acções e actividades do processo das duas organizações sob direcções do Ministério das Relações Exteriores. Actualmente existe o Secretariado Nacional da SADC, coordenado pelo Ministério do Planeamento enquanto órgão motor, do ponto de vista económico mas a luz da organização governamental da segunda República, uma vez que no actual executivo surge o Ministério da Economia e que é tutelado por um Ministro de Estado. Mas também existe a necessidade de se reflectir sobre a estrutura nacional a nível da CEEAC. Para além de tudo a disposição e dispersão de técnicos nas Embaixadas sedes e nos diversos ministérios que de forma directa intervêm no processo de integração regional. http://berlarminovandunem.blogspot.com/

La Politique du Defence de la França pour la Áfrique 2013-2017

Por: Belarmino Van-Dúnem A estratégia de Defesa e Segurança da França pode ser encontrada no “Livre Blanc – Défense et Sécurité Nationale” editado pelo Ministério da Defesa e Segurança da França sob orientação directa do Presidente da República. A primeira publicação deste documento oficial data de 1972, o mesmo é actualizado de cinco em cinco anos, embora existam neste momento as públicações de 1994, de 2008 e a de 2013. A primeira públicação (1972), foi uma iniciativa do Ministro da Defesa Nacional na época, Michel Debré, o documento tinha como foco principal a dissuasão nuclear que constituia a principal preocupação das potências mundiais. No ano de 1994, a estratégia de defesa e segurança da França foi fortimente influênciada por um conjunto de factores internos e externos que obrigaram à um desengajamento da política francesa em África. As forças armadas francesas foram profissionalisadas, em 1996, dando maior enfoque a intervençao externa. No entanto, a queda do muro de Berlim, o colapso da União Soviética, o fim da guerra fria e a sensação da uniformização dos sistemas políticos, a emergência da economia de mercado no mundo e a globalização social levaram a França perder o papel de principal potência ocidental com influência em África. Na década de 90, com a abertura dos regimes políticos ao sistema democratico, surgiram líderes nas ex-colonias francesas em África que questionaram o intervencionismo francês, acusando-a de praticar o neocolonialismo. A operação “Turquoise” com o objectivo de evacuar os cidadãos franceses e da União Europeia do Ruanda durante o genocidio em 1994 também criou embaraços para a imagem da França em África. O fim da moeda franco com a entrada em circulação do euro no espaço da União Europeia, criou um certo desconforto nos países da zona franco cfa em África. Todos esses factos provocaram um afastamento da proactividade da França em África. A doutrina que melhor reflete a atitude da França na década de 90 é a do Primeiro-ministro, Lionel Jospin, ni ingérence, ni indifférence (nem ingerência, nem indifereça). Os acordos de defesa e segurança subscritos na década de 60 e 70 mantenhem-se, mas a França procurou um novo formato de cooperação, adaptando-se à nova realidade no continente africano que fez emergir o sistema de segurança regional, assim como de novas lifderanças que não alinham no estilo de Doyenisme da França. O Presidente Sarkozy procorou, com maior realismo, colocar a França no centro das questões internacionais e, como não poderia deixar de ser, o retorno ao continente africano. Na base da estratégia da França estava o reforço da nação e a sua protecção com base na persevação da soberania, ou seja, a transformação da estratégia de defesa e segurança a segurança nacional no sentido amplo. Embora eu reconheça ser um princípio estranho para um país que está no epicentro da União Europeia. A estratégia baseava-se em cinco eixos principais : Conhecimento – Antecipação ; Prevenção ; Dissuasão ; Protecção e Intervenção (Livre Blanc 2008 :61-75). Na implementação desta nova estratégia o continente africano desempenha um papel fucral quer pela posição geoestratégica, quer pelo conhecimento e relações seculares que a França mantém com vários países africanos, com especial destaque para as ex-colonias. O retorno da França foi recebido com ceticismo em África, as lideranças não são as mesmas, assim como a conjuntura. Para além da resistência de algumas franjas da sociedade, a arquitectura de paz em África transformou-se e está mais complexa e com uma interdependência. Qualquer intervenção enfrenta críticas quer das organizações regionais, quer da União Africana, para não falar de uma corrente anti-intervenção vinda da América Latina com a conivência da Rússia e da China. O retorno da França, enquanto potência económica e militar é irreversivel. Na qualidade de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, membro fundador da OTAN, uma das maiores potências económicas da União Europeia, de único Estado da União Europeia com um sistema de defesa e segurança avançado com raficações em África, onde mantém uma presença militar e, para além de ser uma potência nuclear fazem da França um pivô da dinâmica das relações internacionais. O Presidente François Hollande decidiu rever a estratégia de defesa e segurança da França e foi públicado o Livre Blanc 2013. A estratégia mantém na base os cinco eixos acima referidos. Mas há uma inovação bastante profunda. A França declara a sua autonomia estratégica e elege a Nigeria e a África do Sul como interlocutores de primeiro plano na implementação da estratégia em África. As parcerias no sector da defesa com os Camarões, R. Centroafricana, Comores, Costa do Marfim, Djibuti, Gabão, Senegal e Togo, assim como os seis acordos de cooperação técnica com os Estados africanos são considerados essenciais. A intervenção da França no Mali com o auxílio do Chade ilustra bem a nova filosofia estratégica baseada na autonomia de decisão. Por outro lado, a França contínua a considerar-se como uma potência não agressiva, a capacidade nuclear constitui o garante da manteção da soberania nacional e uma força dissuasora de qualquer ataque de origem estatal. O continente africano se mantém no centro das atenções da França quer pelos recursos, a protecção dos cidadãos franceses, quer pelas influencias que África pode ter para a segurança interna da França e da Europa de forma geral. http://berlarminovandunem.blogspot.com/

Unidade Africana Depois de Meio Século

Por: Belarmino Van-Dúnem O maior défice que o ordenamento jurídico comunitário africano tinha durante a vigência da OUA era a falta de disposições legais para uma intervenção efectiva nos conflitos do Estados membros. Há muitos actores que põem em causa a união comunitária dos Estados africanos, mas de facto a união comunitária em África sempre foi uma realidade, sobretudo durante a luta contra a opressão colonial. “É bem sabido como tal acção catalisadora foi no século XIX desempenhada no continente americano, tal como no século XX em África, pelo desejo comum de libertação do domínio ou da ingerência europeia – traduzido, pelo que toca ao Novo Mundo, pela doutrina Monroviana da «América para os americanos» e no Continente Negro por um vasto movimento de emancipação expresso em fórmulas anticolonialistas e em comuns anseios de desenvolvimento económico e social capaz de permitir ultrapassar o generalizado atraso das condições de vida” (João M. de Campos e João L. Mota de Campos 2010). A unidade acima descrita era explícita do ponto de vista político, mas o princípio do respeito pela soberania dos Estados limitava a resolução de tensões e conflitos intra-africanos. A OUA limitava-se a apelar, solicitar e condenar todo tipo de acção que ia contra os princípios estabelecidos na sua Carta. Conscientes da impossibilidade da OUA intervir militarmente ou tornar as sanções eficientes e eficazes, os estadistas africanos raramente cumpriam com as deliberações das Cimeiras anuais e extraordinárias. Embora defendessem a libertação dos Estados do jugo colonial, na prática muitos colaboravam com as potencias europeias e davam apoio as grupos rebeldes que desestabilizam a maioria dos Estados africanos. O Comité de Coordenação para a Libertação de África raramente tomava decisões que vinculassem os Estados. A opção de dar apoio a este ou aquele movimento de libertação dos Estados que se encontravam sob o jugo colonial na altura, tinha mais pendor unilateral do que colectivo. Embora não se possa negar o papel que a OUA teve na libertação dos Estados africanos. A prevenção de conflitos violentos é um conceito que não fazia parte do ordenamento jurídico internacional até a década de 90 do século passado. Mesmo a ONU cuja fundação visava impedir que uns Estados entrassem em conflitos com outros, na sua Carta existiam disposições reactivas e pouco democráticas. O facto dos vencedores da 2ª guerra mundial terem o poder de decidir e vetar qualquer resolução faz daquela organização pouco ajustada aos novos tempos. A OUA era mais democrática, as decisões eram aprovadas por consenso. Inclusive a votação era evitada, os Chefes de Estado e de governo preferiam passar dias a discutir o mesmo assunto ou adiar a decisão do que afrontar um homologo. Embora a eficiência e eficácia deste tipo de procedimento também seja questionável. A situação de segurança no continente africano foi se degradando e os projectos de desenvolvimento social e económico também ficaram emperrados. Nos meados da década de 90 todo continente estava liberto do jugo colonial, ficando as sequelas com o neocolonialismo. As primeiras independências foram alcançadas na década de 50, os povos de África tiveram que esperar praticamente meio século até ver o destino do continente nas mãos dos africanos, para além dos quinhentos anos de escravatura. Depois do alcance das independências eclodiram vários conflitos inter-estatais e uma grande parte dos Estados entrou em conflitos internos envolvendo o exército nacional. Daí a decisão de transformar a OUA numa estrutura mais proactiva e adaptada aos novos problemas do continente, é assim que surge a União Africana, um velho sonho dos nacionalistas pan-africanos. No dia 11 de Julho de 2000 em Lomé, capital do Togo, foi estabelecido o Acto Constitutivo da União Africana. A passagem da OUA para UA reforça os objectivos preconizados pela OUA no que tange à cooperação entre os Estados africanos e entre estes e os países extracontinentais. A promoção da integração económica entre os países africanos como forma de acelerar o desenvolvimento económico e social do continente aparece como um dos principais objectivos, mas o Acto Constitutivo da UA reconhece que o desenvolvimento económico e social do continente só será atingido num ambiente de paz e estabilidade. É precisamente na área da resolução de conflitos que a estrutura da UA apresenta reformas consideráveis em comparação com a OUA. Enquanto a OUA tinha como objectivos principais alcançar a independência de todos os Estados africanos, a defesa da integridade territorial dos Estados e a não ingerência nos assuntos internos de cada Estado, a UA coloca no topo dos seus objectivos a estabilidade política, social e económica em relação directa com a segurança, portanto a intervenção para a resolução de conflitos intra e inter-estatais aparece como um procedimento possível e legalmente instituído. Até a data, as limitações materiais, financeiras e humanas colocam a UA numa situação de ineficiência, conjugado com a falta de convergência política entre os parceiros do continente, as bodas de prata da Organização de Unidade Africana, actual União Africana (aniversário dos 50 anos) será comemorada num clina de incertezas e novos problemas para enfrentar. http://berlarminovandunem.blogspot.com/

Conselho de Paz e Segurança

Por: Belarmino Van-Dúnem Em Julho de 2002 realizou-se em Durbam, África do Sul, a primeira cimeira ordinária dos Chefes de Estado e do Governo da União Africana. Nesta cimeira foi adoptado o “Protocolo Relativo ao Estabelecimento do Conselho de Paz e Segurança da União Africana”. O CPS da União africana foi implementado em 2003 como órgão responsável pela resolução de conflitos violentos no continente africano. O artigo 2º, do Protocolo, define o CPS como " 1 - …. o órgão que toma decisões para a prevenção, gestão e resolução de conflitos… tem carácter colectivo e um mecanismo de alerta precoce para facilitar respostas atempadas e eficazes à situações de conflito e de crise em África; 2 - O Conselho de Paz e Segurança é composto pela Comissão, um painel de sábios, um sistema continental de alerta precoce, pela força Africana em standby, e um fundo especial". Segundo o artigo 3º, o Conselho de Paz e Segurança (CPS) tem os seguintes objectivos: a) promover a paz, segurança e estabilidade em África, a fim de garantir a protecção e preservação da vida, o bem-estar dos povos africanos e seu meio ambiente, bem como a criação de condições propícias para o desenvolvimento sustentável; b) antecipar e prevenir conflitos. Em circunstâncias em que os mesmos tenham ocorrido, o Conselho de Paz e Segurança tem a responsabilidade de desempenhar as funções de construção da paz para a resolução desses conflitos; c) promover e implementar a construção da paz e reconstrução pós-conflito para consolidar a paz e evitar o ressurgimento da violência; d) coordenar e harmonizar os esforços continentais para a prevenção e combate ao terrorismo internacional, em todos os seus aspectos; e) desenvolver uma política de defesa comum da União, de acordo com o artigo 4º, alínea d do Acto Constitutivo; f) promover e incentivar práticas democráticas, a boa governação e o Estado de direito, proteger os direitos humanos e as liberdades fundamentais, respeito pela santidade da vida humana e do direito internacional humanitário, como parte dos esforços para a prevenção de conflitos. A implementação de órgão com as funções descritas no ponto 2 do artigo 2º do Protocolo Relativo ao Estabelecimento do Conselho de Paz e Segurança da União Africana constituiu um grande avanço na abordagem da prevenção de conflitos em África. Mas o seu funcionamento é deficitário por várias razões: falta de coordenação entre os Estados membros; dificuldade de controlo da totalidade do território nacional por parte do Estados membros; dependência do financiamento externo para o desenvolvimento das actividades das organizações inter-estatais africanas; persistência de alguns Estados em dar apoio e guarida aos grupos rebeldes que actuam nos Estados limítrofes; fraca capacidade militar dos Estados membros; resistência dos Estados em fornecer efectivos militares para a formação de forças de intervenção nos conflitos e/ou governos anticonstitucionais; não cumprimento dos procedimentos para o envio de uma força de interposição ou de imposição num conflito armado, o número de efectivos e menor do que o necessário, inclusive mal treinados e equipados comparativamente aos rebeldes; intervenção das ex-potências coloniais nos conflitos internos sempre que os seus interesses estejam em causa; burocracia do Conselho de Segurança da ONU que raramente dá apoio efectivo às resoluções saídas das conferências africanas; e subdesenvolvimento dos Estados africanos, levando a juventude a arriscar a vida nos grupos armados na esperança de melhorar o seu bem-estar. A arquitectura de paz da União Africana está descentralizada entre as regiões reconhecidas no âmbito das organizações económicas regionais. A opção por uma estratégia de paz com pendor regional tem as suas vantagens, mas criou uma fragmentação nos esforços de paz no continente porque os Estados passaram a ver o continente com uma matriz regional. Em muitos casos criou antagonismo entre Estados das diferentes regiões, criando lideranças forçadas ao nível das respectivas regiões. Por outro lado, a UA depende muito do financiamento dos parceiros extracontinentais facto que tem limitado bastante as acções da organização, sobretudo das deliberações que implicam o destacamento de efectivos militares. Há um avanço significativo da União Africana se comparado com o Comité de Libertação da OUA ou mesmo como o Conselho de Segurança da ONU, mas a democratização do CPS fica sem efeito por falta de meios. Cinquenta anos depois da criação da OUA em 1963, África continua a viver com velhos problemas e novos desafios. http://berlarminovandunem.blogspot.com/

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

HP Disponibiliza Dois Novos Modelos De Notebooks Com O Ubuntu Em 1500 Lojas Na China

Escrito por : Family Wolf 19/09/13 HP Disponibiliza Dois Novos Modelos De Notebooks Com O Ubuntu Em 1500 Lojas Na China A fabricante de PCs começou a vender dois novos modelos de notebooks com o Ubuntu em mais de 1.500 de suas lojas na China a partir de 16 de setembro. A notícia vem quase 2 semanas após a Dell anunciar que também ampliou o número de lojas de varejo que vendem os dispositivos com o Ubuntu pré-instalado. "Os consumidores ainda não estão familiarizados com o Ubuntu, então serão dados pacotes com informações e materiais de marketing para ajudar esses novos consumidores", disse a Canonical, que também afirmou treinou mais de 4 mil funcionários para fazer a demonstração do Ubuntu como também explicar os benefícios de se usar um sistema operacional livre. Confira abaixo os dois novos notebooks da HP que já estão sendo vendidos em lojas chinesas com o sistema operacional Ubuntu: HP Pavilion G14 HP Pavilion G15 Ambos são relativamente semelhantes nas suas especificações, oferencendo processadores Intel Core i3 e i5, 2 GB de memória RAM e 500 GB ou 1 TB de armazenamento em disco rígido. Os laptops que foram colocados a venda desde 16 de setembro, podem ser comprados por ¥ 3.799 ou R$ 1367 reais. Parece que as empresas de hardware estão apostando alto na China, apesar de especialistas da indústria dizerem que esperam uma queda acentuada nas venda de PCs na China. Mais do que em outros mercados. A boa notícia nisso tudo é que cada vez mais o software livre está se tornando presenta na vida das pessoas e a Canonical segue pioneira no segmento de computadores pessoais com o seu magnífico Ubuntu. http://www.sempreupdate.com.br/2013/09/hp-disponibiliza-dois-novos-modelos-de.html

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Rússia diz que relatório da ONU sobre ataque na Síria é politizado

Por Steve Gutterman MOSCOU, 18 Set (Reuters) - A Rússia afirmou nesta quarta-feira que as descobertas dos investigadores da ONU sobre um ataque com gás venenoso na Síria são preconcebidas e contaminadas pela política, intensificando as críticas a um relatório que países ocidentais dizem ter comprovado a culpa do presidente sírio, Bashar al-Assad. A Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, pode citar esses questionamentos ao se opor futuramente a uma eventual tentativa de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França de punir a Síria por qualquer violação a um acordo para abandonar as armas químicas. "Estamos decepcionados, para dizer o mínimo, sobre a abordagem feita pelo Secretariado da ONU e os inspetores da ONU, que elaboraram o relatório de forma seletiva e incompleta", disse o vice-chanceler Sergei Ryabkov à agência estatal de notícias russa RIA, em Damasco. "Sem receber um quadro completo do que está acontecendo aqui, é impossível alcançar a natureza das conclusões a que chegaram os especialistas da ONU... nada além de politizadas, preconcebidas e unilaterais", disse Ryabkov, após reunião com o chanceler sírio, Walid al-Moualem. O relatório da ONU divulgado na segunda-feira confirmou o uso do agente nervoso sarin no ataque de 21 de agosto, mas não atribuiu culpa. Grã-Bretanha, França e Estados Unidos disseram que o documento confirma que o governo da Síria, e não os rebeldes, foram os responsáveis. A Rússia acusa os rebeldes que lutam contra Assad de terem realizado o ataque. O desacordo absoluto sobre a culpa pelo ataque pode complicar as discussões entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU --Rússia, China, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França-- sobre uma resolução elaborada pelos países ocidentais para eliminar as armas químicas da Síria. http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE98H01220130918

Tribunal de vigilância dos EUA decide que coleta de dados telefônicos é legítima

WASHINGTON, 17 Set (Reuters) - O tribunal secreto que fiscaliza a gigantesca coleta diária de dados telefônicos nos Estados Unidos defendeu vigorosamente nesta terça-feira os motivos pelos quais considera essa atividade legal, apesar da polêmica causada por sua revelação, em junho. Em opinião datada de 29 de agosto e divulgada nesta terça-feira, a juíza Claire Eagan, do Tribunal de Vigilância da Inteligência Estrangeira, escreveu que o programa não viola os direitos básicos dos norte-americanos à privacidade e que está amparado por uma lei de 2001 conhecida como Ato Patriota. "A corte concluiu que há fatos mostrando motivos razoáveis para crer que os registros solicitados são relevantes para investigações autorizadas", escreveu a juíza, uma dos 11 magistrados da corte. O jornal britânico The Guardian revelou em junho a existência do banco de dados de ligações telefônicas. Foi a primeira de uma série de revelações com base em documentos entregues pelo ex-técnico norte-americano de inteligência Edward Snowden. O programa armazena diariamente "metadados", como números chamados e a hora e duração de cada chamada, em um prazo de até sete anos. Não há registros sobre os conteúdos das ligações, nem os nomes dos interlocutores, segundo autoridades dos EUA. O governo argumenta que esse banco de dados é valioso para evitar atentados da Al Qaeda e de outros grupos militantes e que o acesso ao banco de dados se limita a pessoal treinado que esteja investigando organizações terroristas internacionais. O Tribunal de Vigilância da Inteligência Estrangeira revê periodicamente o programa, mas suas opiniões em geral são sigilosas, e raramente vêm a público. Em uma alusão às revelações de Snowden, Eagan escreveu: "Esta corte está ciente de que esta questão chega a ela em um momento em que revelações sem precedentes foram feitas a respeito deste e de outros programas altamente sensíveis, destinados a obter informações de inteligência estrangeira e realizar investigações de contraterrorismo". (Reportagem de David Ingram) http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE98G06Q20130917

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Munique (Alemanha) começam a distribuir CDs do Ubuntu 12.04 gratuitamente

Antes de pararem de dar suporte oficial para o Windows XP (dia 8 Abril de 2014), na cidade Munique na Alemanha começaram oferecendo gratuitamente o Ubuntu 12.04 LTS em CDs. Pretendem ajudar os cidadãos que vão ser afetados com isso, pois não vão mais corrigir falhas de segurança, com isso os cidadãos de Munique distribuem 2000 CDs, com sistema operacional livre Linux que distribuído gratuitamente para os interessados. Começa segunda-feira, 9 de Setembro, esse CDs estão na Biblioteca Municipal de Munique. A distribuição fornecida tem suporte até Abril de 2017. Assim os usuários podem continuar usando os computadores mais antigos. Os vírus e outros programas maliciosos não vão ter espaço. Usando a distribuição Linux, em primeiro lugar, evitar a inutilidade de computadores mais velhos. Ao mesmo tempo, apresentar como um sistema inovador, Open Source. Os CDs são indicados principalmente para os cidadãos que não têm experiencia técnica e os meos necessários para o download. Quer continuar por dentro das novidade que acontece aqui? Então siga o blog no Google+, e curta nossa página no Facebook. http://www.bloglinuxinfo.com.br/2013/09/na-cidade-de-munique-alemanha-comecam.html

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Dilma quer pedido de desculpas dos EUA por espionagem, diz fonte

Por Brian Winter SÃO PAULO, 4 Set (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff está "furiosa" após uma reportagem apontar que o governo dos EUA espionou suas comunicações privadas e pode cancelar a viagem de Estado que tem marcada para Washington em outubro e reduzir os laços comerciais, a não ser que receba um pedido público de desculpas, disse uma fonte de alto escalão do governo brasileiro nesta quarta-feira. O programa "Fantástico", da TV Globo, divulgou no domingo que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou emails, telefonemas e mensagens de texto de Dilma e do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, quando ainda era candidato. A reportagem baseou-se em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden. Dilma tem uma viagem de Estado marcada para Washington no mês que vem para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e discutir a possível venda de caças norte-americanos ao Brasil, um negócio de 4 bilhões de dólares, cooperação nas áreas de petróleo e biocombustíveis, assim como outros acordos comerciais. A visita, a única do tipo em que Obama recepciona um chefe de Estado neste ano, tinha o objetivo de enfatizar a melhora recente nas relações entre as duas maiores economias das Américas, assim como reconhecer a ascensão do Brasil como potência regional importante. Mas a fonte disse à Reuters que Dilma considerou insuficiente a resposta dada até agora pelo governo norte-americano à reportagem do "Fantástico" e está preparada para cancelar a visita e adotar medidas de retaliação, incluindo descartar a compra de caças da norte-americana Boeing, uma das três finalistas na disputa para fornecer caças à Força Aérea Brasileira (FAB). "Essa é uma grande, grande crise", disse a fonte sob condição de anonimato. "Precisa haver um pedido de desculpas. Precisa ser público. Sem isso, é basicamente impossível para ela ir a Washington em outubro." Obama e Dilma vão participar da reunião do G20 em São Petersburgo, na Rússia. No entanto, até esta quarta-feira, os dois líderes não tinham nenhuma reunião bilateral marcada, disse a fonte. Analistas têm afirmado que seria politicamente difícil para Dilma participar de toda a pompa de uma visita de Estado, que inclui um jantar de gala entre outras formalidade, numa data tão próxima às acusações de que o governo dos EUA a espionaram. Continuação... Na segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, exigiu uma resposta por escrito do governo norte-americano sobre a reportagem do "Fantástico" até o final desta semana. Uma autoridade do Itamaraty disse à Reuters que nenhuma resposta havia sido enviada até a tarde desta quarta. OBAMA DIZ QUE EUA MIRAM "ÁREAS DE PREOCUPAÇÃO" Em declarações na Suécia nesta quarta, a caminho da reunião do G20, o presidente norte-americano disse que a inteligência dos Estados Unidos não está "bisbilhotando os emails das pessoas ou escutando seus telefonemas". "O que nós estamos tentando fazer é mirar, bem especificamente, em algumas áreas de preocupação", disse Obama, acrescentando que tais áreas incluem ações contra o terrorismo, armas de destruição em massa e segurança cibernética. Autoridades brasileiras estão céticas sobre como as comunicações privadas de Dilma teriam entrado nessas categorias. O Brasil não é uma base conhecida de operações terroristas, não produz armas nucleares, e tem sido uma democracia estável e um aliado cordial dos Estados Unidos nas últimas três décadas. Obama também disse nesta quarta que salvaguardas devem ser fortalecidas para garantir que os programas de vigilância se mantenham dentro de determinados parâmetros. "Só porque nós podemos fazer algo, não significa que devemos fazê-lo", disse. A reportagem da TV Globo mostrou o que afirmou ser um slide da NSA de junho de 2012 que apontava os padrões de comunicação entre Dilma e seus auxiliares mais próximos. Esse slide e um outro que mostrava mensagens escritas enviadas pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, quando ainda era candidato à Presidência, faziam parte de um estudo de caso da NSA mostrando como os dados poderiam ser "inteligentemente" filtrados pela agência, segundo a reportagem. A reportagem baseou-se em documentos obtidos junto a Snowden pelo jornalista Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, um dos auxiliares em que Dilma mais confia, disse na terça-feira que o Brasil ainda tem de receber uma explicação "razoável" dos Estados Unidos. "Acho que essa espionagem indiscriminada não tem a ver a com segurança nacional", disse o ministro. "É uma espionagem com um caráter comercial, industrial." Bernardo disse que a espionagem era "mais grave do que fica parecendo à primeira vista", o que pode explicar a razão que levou Dilma a buscar um pedido de desculpas depois de inicialmente pedir uma explicação por escrito dos EUA. A autoridade do governo brasileiro que falou sob condição de anonimato à Reuters comparou a crise atual com a última vez que os dois países brigaram em público --em 2010, quando o antecessor de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentou intermediar um acordo sobre o programa nuclear iraniano, o que não deu certo e gerou uma onda de recriminações entre Washington e Brasília. "Isso é muito pior que o Irã", disse a fonte. "Ela está completamente furiosa." http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE98308B20130904?pageNumber=1&virtualBrandChannel=0

Comissão do Senado dos EUA autoriza uso da força militar na Síria

WASHINGTON, 4 Set (Reuters) - A Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira uma resolução autorizando o uso da força militar na Síria por 10 votos a favor e 7 contra. A votação abre caminho para que a resolução seja apreciada pelo plenário do Senado, provavelmente na próxima semana. (Reportagem de Patricia Zengerle) http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE98307320130904

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Nokia vende divisão de celulares para Microsoft por US$7,2 bilhões

Dois anos depois de atrelar seu futuro ao sistema operacional Windows Phone, a Nokia caiu nos braços da Microsoft, aceitando a venda de suas operações com celulares para a gigante norte-americana por 5,44 bilhões de euros (7,2 bilhões de dólares), num negócio que fez suas ações dispararem mais de 40 por cento nesta terça-feira. A Nokia, que vai continuar como fabricante de equipamentos para telecomunicações e detentora de patentes, já foi a maior empresa de celulares do mundo, mas acabou superada por Apple e Samsung no competitivo segmento de celulares inteligentes. O presidente da Nokia, Stephen Elop, que dirigia a área de software para empresas da Microsoft antes de ingressar na Nokia em 2010, vai agora retornar para a companhia norte-americana como presidente de suas operações com dispositivos móveis. Ele está sendo cotado como um possível substituto ao atual presidente-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, que vai se aposentar e está tentando transformar a companhia em uma empresa de aparelhos e serviços, como a Apple, antes de deixar o comando. "Está muito claro para mim que a racionalidade disto é o caminho certo para seguirmos em frente", disse Elop a jornalistas, apesar de acrescentar que sente "grande tristeza" sobre a operação. Em três anos sob o comando de Elop, a Nokia viu sua participação de mercado encolher e o preço de sua ação recuar em meio à aposta dos investidores de que sua estratégia fracassaria. Em 2011, depois de escrever um memorando que afirmava que a Nokia estava ficando para trás e não tinha tecnologia para acompanhar o mercado, Elop tomou uma decisão controversa de usar o sistema operacional da Microsoft para smartphones, o Windows Phone, no lugar da própria plataforma desenvolvida pela Nokia ou do sistema criado pelo Google, o Android, hoje líder de mercado. A Nokia, que teve uma participação de 40 por cento do mercado de celulares em 2007, agora tem 15 por cento, com uma presença ainda menor em smartphones, de 3 por cento. Às 8h07 (horário de Brasília), as ações da Nokia disparavam 41,8 por cento, com investidores que tinham alugado e vendido a ação ao apostarem em novas quedas de preços correndo para recomprarem os papéis para limitarem suas perdas. Apesar da alta, o valor da ação da Nokia, de 4,18 euros, é uma fração do pico atingido em 2000, a 65 euros. Após os ganhos desta terça-feira, a Nokia é avaliada como valendo cerca de 15 bilhões de euros, também uma fração em relação ao auge da companhia, que já chegou a ter valor de mercado de 200 bilhões de euros. Enquanto isso, as ações da Microsoft em Frankfurt recuavam mais de 2 por cento. VENDIDA POR UMA NINHARIA A venda do negócio de celulares da Nokia não é a primeira reviravolta dramática da empresa em sua história de 148 anos. A companhia já vendeu de botas de borracha a televisores. Mas o anúncio da venda foi um duro golpe para o país natal da empresa, a Finlândia. Para muitos finlandeses, o fato de um ex-executivo da Microsoft ter assumido o comando da Nokia, apostado o futuro da empresa em uma aliança com a gigante norte-americana, demitido dezenas de milhares de trabalhadores e entregue a companhia às mãos da Microsoft foi um tapa ao orgulho nacional. "(O predecessor de Elop) Jorma Ollila trouxe um cavalo de Tróia para a Nokia", publicou o tabloide Ilta-Sanoma. Ollila transformou a Nokia em uma potência global, mas foi responsabilizado mais tarde por ter demorado muito para reconhecer a ameaça do iPhone da Apple e a revolução trazida pelo smartphone. "Como finlandês, não posso gostar deste negócio. Ele encerra um capítulo da história da Nokia", disse Juha Varis, gerente de portfólio da Danske Capital. "Por outro lado, talvez tenha sido a última oportunidade de vendê-lo." Varis foi um dos muitos investidores que criticaram a decisão de Elop de apostar o futuro da Nokia em smartphones baseados no sistema operacional da Microsoft, que foi elogiado em resenhas de tecnologia, mas nunca deslanchou entre os consumidores. "Então, o resultado é: toda a divisão de celulares por 5 bilhões de euros. Isso é nada comparado com a história da empresa", disse Varis. Outros finlandeses lamentaram o declínio da ex-líder de mercado. Alexander Stubb, ministro do Comércio Exterior e para Assuntos Europeus, disse em sua conta no Twitter: "Para muitos de nós, finlandeses, inclusive eu, os telefones da Nokia são parte de um ambiente no qual crescemos. Muitas primeiras reações ao negócio serão emocionais." O novo presidente interino da Nokia Risto Siilasmaa pintou um quadro sobre o quão difícil foi a decisão de vender a empresa, afirmando que o conselho de administração da companhia, depois de ser contatado pela Microsoft no início do ano, se reuniu quase 50 vezes para explorar alternativas à venda. A Nokia afirmou que espera que cerca de 32 mil funcionários, do total de 90 mil trabalhadores da empresa no mundo, sejam transferidos para a Microsoft, incluindo cerca de 4.700 na Finlândia. VENDA URGENTE O preço do negócio de telefonia móvel da Nokia, fechado a cerca de um quarto das vendas da companhia no ano passado, representou um "nível de venda urgente", segundo o analista Tero Kuittinen, da consultoria Alekstra, embora outros discordem dessa visão. "O que deve ser pago por um negócio em declínio, no qual a fatia de mercado tem sido constantemente perdida e a rentabilidade tem sido fraca?", disse Hannu Rauhala, analista do Pohjola Bank. "É difícil dizer se é barato ou caro." A Nokia ainda é a segunda maior fabricante de celulares do mundo, atrás da Samsung, mas não está entre as cinco primeiras no mercado de smartphones, que é mais lucrativo e tem crescimento mais rápido. As vendas da linha Lumia da Nokia têm ajudado o Windows Phone a ganhar participação no mercado global de celulares, alcançando uma fatia de 3,3 por cento, de acordo com a consultoria Gartner, ultrapassando a BlackBerry pela primeira vez este ano. Ainda assim, o Android, do Google, e o sistema iOS, da Apple, respondem por 90 por cento do mercado. A Nokia disse em um comunicado que espera que, além de Elop, executivos do alto escalão como Jo Harlow, Juha Putkiranta, Timo Toikkanen e Chris Weber sejam transferidos para a Microsoft após o negócio ser concluído, sem especificar quais papéis teriam na empresa.O presidente do conselho da Nokia, Risto Siilasmaa, assumirá os deveres de presidente-executivo enquanto a companhia finlandesa procura uma pessoa para o cargo, acrescentou o comunicado. A venda da divisão de celulares da Nokia para a Microsoft deve ser concluída no primeiro trimestre de 2014 e está sujeita à aprovação por acionistas da Nokia e autoridades. MOMENTO CRUCIAL O negócio também marca um momento crucial para a Microsoft, que ainda gera grandes receitas a partir do seu sistema operacional Windows, com o pacote Office, de softwares de uso corporativo, e com o videogame X Box, mas nunca conseguiu montar um negócio rentável em dispositivos móveis. O aparelho portátil da Microsoft, o tablet Surface, tem registrado vendas fracas desde que foi lançado no ano passado. "É um passo ousado em direção ao futuro --uma vitória para os funcionários, acionistas e consumidores de ambas as empresas", disse Ballmer em comunicado. "Unir esses grandes times vai acelerar ações e os lucros da Microsoft em telefones e fortalecer as oportunidades globais para a Microsoft e nossos parceiros em toda a nossa família de dispositivos e serviços." A investida deixa a empresa finlandesa com a Nokia Solutions and Networks, que compete com empresas como Ericson e Huawei em equipamentos para redes de telecomunicações. A Nokia também permanece com negócios em mapas e navegação por satélite e um amplo portfólio de patentes, que serão licenciadas para a Microsoft. O negócio com a Nokia empurra a Microsoft adiante no disputado mercado de celulares, apesar de alguns investidores pedirem que a companhia se atenha aos softwares e serviços, negócios em que é mais forte. Elop vai voltar para a Microsoft num momento em que o conselho da Microsoft avalia um sucessor para Ballmer, o que deve ser decidido nos próximos 12 meses. "A Microsoft não pode abandonar os smartphones e a expectativa de que outros fabricantes possam adotar o Windows Phone está se esvaindo rapidamente. Então, a compra da Nokia acontece no momento certo", disse Carolina Milanesi, da empresa de pesquisa de mercado Gartner. http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRSPE98200R20130903?pageNumber=4&virtualBrandChannel=0

Senado norte-americano pode votar já hoje uma proposta de resolução sobre uma ação militar na Síria

Os secretários de Estado e da Defesa, John Kerry e Chuck Hagel, defenderam e explicaram ontem, durante várias horas, a intervenção aos senadores. O chefe da diplomacia norte-americana garantiu mais uma vez que se trata de uma ação limitada e à distância. Kerry frisou que “todos concordam que não haverá soldados norte-americanos no terreno. O presidente deixou claro que não pretende assumir a responsabilidade da guerra civil na Síria, mas está a pedir autorização para dissuadir e degradar a capacidade de Bashar al-Assad para usar armas químicas”. Se houver consenso sobre o texto, a resolução que apoia os objetivos da administração Obama será votada pelos senadores ainda esta quarta-feira. Nas Nações Unidas, Ban Ki-Moon questionou a legalidade de um ataque norte-americano. O secretário-geral da ONU afirmou que “o uso de força só é legal se for em caso de autodefesa, de acordo com o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, ou quando o Conselho de Segurança aprova uma ação desse tipo”. Barack Obama obteve um forte progresso nos esforços para convencer o Congresso dos Estados Unidos, conquistando ontem o apoio do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, bem como do chefe da maioria republicana, Eric Cantor. Os congressistas debatem a intervenção a partir da próxima segunda-feira. Mais informação sobre Barack Obama, EUA, John Kerry, Ofensivas militares Copyright © 2013 euronews http://pt.euronews.com/2013/09/04/eua-senadores-podem-votar-hoje-resolucao-sobre-ataque-ao-regime-sirio/

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Síria pede à ONU que detenha ataque dos EUA

A Síria pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) que evite "qualquer agressão" contra o país depois das declarações feitas pelo presidente dos EUA, Barack Obama, no fim de semana em que defendeu ataques punitivos contra o Exército sírio devido à ação com armas químicas no mês passado. Os Estados Unidos alegam que mais de 1.400 pessoas, muitas delas crianças, foram mortas no pior incidente com uso de arma química desde o ataque com gás venenoso durante o governo do iraquiano Saddam Hussein, que deixou milhares de curdos mortos em 1988. Uma eventual ação militar dos EUA será colocada em votação no Congresso, que encerra o período de recesso no dia 9 de setembro. Isso dará tempo ao presidente sírio, Bashar al-Assad, para prepara o terreno para qualquer operação e também permitará que tente conquistar apoio internacional contra o uso da força. Em uma carta ao chefe da ONU, Ban Ki-moon, e à presidente do Conselho de Segurança, Maria Cristina Perceval, o embaixador da Síria na ONU Bashar Ja'afari fez um pedido ao "secretário-geral da ONU para assumir sua responsabilidade de prevenir qualquer agressão contra a Síria e que pressione para que se alcance uma solução política para a crise na Síria", disse na segunda-feira a agência de notícias estatal SANA. (Reportagem de Oliver Holmes) BEIRUTE, 2 Set (Reuters) http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE98100G20130902