terça-feira, 19 de agosto de 2008


Rússia vs Geórgia.

Desde a desintegração da ex-União Soviética, quase todos os governos da Europa Oriental têm gravitado em torno da União Européia e da Otan. As exceções têm sido a Sérvia, Bielorússia e a própria Rússia – a qual, ainda que assumidamente seduzida pelo capitalismo, quer se manter numa marcha independente de Berlim e Washington.
A Sérvia se tornou abertamente aliada à Rússia, enquanto Montenegro e Kosovo declararam independência, buscando entrar na zona do euro. Até a recente ação militar na Geórgia, via Ossétia do Sul, a Rússia vinha assistindo calada antigos territórios soviéticos mais a oeste (como Lituânia, Letônia, Estônia, Moldova e Ucrânia) voarem como abelhas no mel da União Européia.
Causas do conflito
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, por sua vez, é talvez o mais empenhado exemplo da subserviência a George W. Bush no Cáucaso. Com a invasão da Geórgia, a Rússia quis dar um basta nesse aliado ocidental e mostrar quem manda na região – ainda mais quando pela zona passa um duto de combustíveis ligando o Mar Cáspio ao Mediterrâneo, que ameaça o monopólio que o gás russo vinha desfrutando em toda a Europa.
Para tentar conter os avanços da UE em seu “território”, Moscou apóia regiões separatistas dentro da Geórgia, caso da Ossétia do Sul e da Abkasia. Estas regiões são iguais à Transdniestria, na Moldova – repúblicas independentes de fato, ainda que a ONU não as reconheça.
Agora que o Ocidente aceitou a soberania de Kosovo, a Rússia argumenta que as demais regiões também têm direito à auto-determinação. O curioso é que, na Sérvia, Bush impulsionou a independência do Kosovo, e na Geórgia ele defende o oposto e sequer cogitou enviar tropas para ajudar o aliados dos EUA. No entanto, ameaçou a Rússia, caso esta não se contivesse e encerrasse os ataques.
O analista internacional e ex-professor da London School of Economics (LSE) Isaac Bigio é especializado em América Latina e assina uma coluna diária no jornal peruano Correo. Tradução: Juliana Resende.


GEÓRGIA – Aliança com UE irrita Rússia.
Os cerca de 700 mil ossétios compreendem na única nação do Cáucaso a falar uma língua muito parecida com a iraniana – ainda que não sejam mulçulmanos, mas cristãos ortodoxos. Quando a ex-União Soviética se desintegrou, em 1991, a Ossétia do Norte ficou como parte da Federação Russa, e a Ossétia do Sul como uma província da Geórgia.

A Geórgia, por sua vez, se declarou independente da Federação Russa, por meio de um referendo e mantém sua soberania. No entanto, o mesmo Ocidente que recém-reconheceu a independência do Kosovo (encravado dentro da Sérvia) se recusa a reconhecer o direito de auto-determinação e autonomia da Ossétia do Sul e também da Abkázia, outra província separatista anexada à Geórgia.
Assédio ocidental


O motivo é simples: a Geórgia se configura num aliado e o presidente Mikhail Saakashvili enviou dois mil soldados ao Iraque e está disposto a tudo para que o país entre na Otan. Saakashvili também aproveitou o início das Olimpíadas para reocupar a Ossétia do Sul.
A Rússia respondeu com rapidez, porque não quer seguir retrocedendo em suas áreas de influência e interesse porque não está tranqüila com o fato de o Ocidente ter inaugurado em duto que leva gás do Mar Cáspio ao Mediterrâneo sem passar por seu território e, principalmente, porque não quer que a Otan e a União Européia sigam assediando ex- Estados soviéticos.

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