quinta-feira, 30 de abril de 2009

Obama chega aos 100 dias


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira que, ao chegar aos 100 dias de governo, está "feliz, porém insatisfeito".

"Estou feliz com o progresso que fizemos, mas não estou satisfeito. Tenho confiança no futuro, mas não estou contente com o presente", afirmou o presidente em um pronunciamento na cidade de St. Louis, no Estado do Missouri.

O presidente afirmou que os americanos estão enfrentando uma crise que ficou latente por muitos anos, que será necessário um longo tempo para solucionar e as pessoas não deveriam fazer julgamentos minuto a minuto. No entanto, o presidente americano ainda deu um tom otimista a seu discurso.

"Hoje, em meu 100º dia de governo venho dizer a vocês, povo americano, que começamos a nos levantar e sacudir a poeira e começamos o trabalho de refazer a América... estamos trabalhando para refazer a América", disse.

Além do encontro na cidade, Obama deve também participar de uma entrevista coletiva que será transmitida pela maior parte das redes de televisão americanas.

Economia e política externa

Desde que assumiu o cargo em 20 de janeiro, Obama, entre outras medidas, aprovou um pacote de estímulo econômico, ordenou o fechamento da prisão de Guantánamo, estabeleceu um cronograma para a retirada dos soldados americanos do Iraque e deu sinais de que estaria disposto a retomar o diálogo diplomático com Cuba e Irã.

Mas, em seu 100º dia de governo o presidente americano enfrenta uma emergência doméstica devido aos casos de gripe suína, doença que já causou uma morte no país.

E a crise econômica iniciada antes do início de seu mandato não dá sinais de melhora.

Além do pacote de estímulo, Obama também tentou melhorar o quadro econômico do país com planos para recapitalizar os bancos americanos e salvar as montadoras.

Pesquisas

Obama venceu as eleições americanas em 2008 com 53% dos votos. A última pesquisa de opinião do Instituto Gallup mostra que o índice de aprovação do presidente continua alto: 65%, virtualmente inalterado desde o dia de sua posse.

Ao encerrar a primeira fase de seu governo, Obama deve se concentrar na aprovação de seu plano para dar a todos os americanos acesso a planos de saúde. E a introdução de um sistema para a redução das emissões de carbono e para o combate ao aquecimento global.

As perspectivas de aprovação pelo Congresso dos ambiciosos planos do presidente melhoraram na terça-feira, quando o senador republicano Arlen Specter anunciou que estava trocando de partido, e indo para as fileiras do Partido Democrata.

Se tudo correr como o esperado e a corrida pelo Senado em Minnesota for ganha pelo democrata Al Franken, o Partido Democrata de Obama terá os 60 votos no Senado necessários para rechaçar qualquer tentativa dos republicanos de bloquear legislações propostas pelo governo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A POLÍTICA EXTERNA ANGOLANA NA AGENDA NACIONAL DE CONSENSO‏

http://berlarminovandunem.blogspot.com

Por: Belarmino Van-Dúnem*


A Agenda Nacional de Consenso é um dos únicos documentos que contém os objectivos e as estratégias de desenvolvimento de Angola nas mais diversas áreas. O mesmo assume uma grande relevância porque foi amplamente debatido e divulgado por todas as franjas da sociedade angolana, por conseguinte é por ele que o cidadão deverá informar-se sobre a estratégia que se pretende seguir para a afirmação de Angola no domínio interno e externo.
No que concerne a política externa, a Agenda Nacional de Consenso defende os princípios gerais do ordenamento jurídico internacional estipulados pela ONU e pela União Africana. O respeito pela soberania dos Estados, o desenvolvimento de relações pacíficas e o respeito pelos direitos humanos aparecem na base das relações de Angola com outros Estados soberanos.
O domínio regional é o item mais desenvolvido e apresenta um conjunto de estratégias concretas de acção. Neste âmbito Angola pretende se afirmar como um parceiro económico privilegiado, permitindo a sua inserção na economia mundial. A participação activa nas questões relacionadas com a integração regional na África Austral a nível da SADC, na África Central (CEAAC), na região do Golfo da Guiné e a continuidade das relações no seio da CPLP aparecem como prioridades.
Nestas regiões do continente, Angola pretendo ser um “Estado respeitado pelos seus vizinhos e parceiros e com influência e responsabilidade na manutenção da paz e da estabilidade política e social”. A política de não permissão de instalação de bases militares estrangeiras no território nacional aparece como uma forma de continuar a garantir a independência e a soberania nacional.
O apoio aos grupos empresariais nacionais que operam para alem das fronteiras nacionais, o desenvolvimento de estratégias que vissem a afirmação do país no mercado mundial, o estabelecimento de parcerias com as organizações e blocos económicos regionais, o aproveitamento das sinergias provenientes das comunidades angolanas residentes no estrangeiro e de outras comunidades do mundo são as estratégias que o país deverá seguir para se afirmar na arena internacional.
Angola deverá aumentar a sua participação no mercado mundial de energia, diversificar e conquistar novos nichos de mercado no comércio mundial, participando no seio das Organizações e Instituições que intervêm no Comercio Internacional. Para tal irá Promover, incentivar e apoiar instituições nacionais vocacionadas para a realização de estudos e análises sobre questões de interesse nacional e internacional que permitam ao Estado o conhecimento antecipado e adequado de assuntos relevantes para o crescimento e desenvolvimento do país.
A política externa do Estado é inevitável porque se um Estado não tiver um conjunto de objectivos e estratégias para agir fora das suas fronteiras acaba por sofrer as consequências das políticas externas que outros Estados estabelecem para si. Portanto, a Agenda Nacional de Consenso é um subsídio importante de orientação para acções fora das fronteiras nacionais.
Neste momento crucial para o desenvolvimento e consolidação da paz em Angola é necessário que os angolanos encontrem uma plataforma comum que possa convergir as suas sinergias independentemente da sua tendência política, confecção religiosa ou outros princípios pessoais/colectivos. A Agenda Nacional de Consenso propõe o concurso de todos angolanos por “UMA ANGOLA MELHOR”.
*Professor Universitário e Analista de Política Internacional



quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nova Politica para Cuba




O Presidente Americano, Barack Obama, está a tornar mais fácil aos cubano-americanos a deslocação a Cuba e o envio de remessas aos seus familiares naquela nação insular. Uma decisão anunciada poucos dias antes da cimeira dos lideres das Américas em Trinidade e Tobago.

A medida não levanta, no entanto, o embargo comercial imposto há 47 anos pelos Estados Unidos a Cuba, constituindo apenas uma abertura para o efeito.

Os cerca de um milhão e meio de cubano-americanos com as suas famílias ainda em Cuba, poderão agora mais livremente visitar e enviar aos seus familiares ajudas financeiras.

O porta-voz da Casa da Branca, Robert Gibbs, disse que todas as restrições de viagens e remessas estão a ser levantadas e que, ao mesmo tempo, a Administração Obama autoriza telecomunicações mais amplas com Cuba, autorização que abrange também um longa lista de objectos de carácter humanitário que poderão ser enviados a Cuba em forma de donativos.

O porta-voz da Casa Branca adiantou que as iniciativas destinam-se a criar futuras oportunidades através das quais os cubanos possam mais tarde determinar mais livremente o futuro do seu país.

"Todos os que abraçam valores democráticos essenciais aspiram a que Cuba respeite também os direitos humanos, políticos e económicos fundamentais para todos os seus cidadãos. O Presidente Obama acredita que as medidas que acaba de tomar poderão ajudar na realização desses objectivos."

Disse ainda Robert Gibbs que as iniciativas do Presidente, por si, não serão suficientes para isso, mas que os líderes cubanos deverão acompanhar também este mesmo processo:

"São medidas que o Presidente poder tomar, e na realidade tomou, com o objectivo de promover o fluxo da informação, dar alguns passos importantes por forma a ajudar a abrir o caminho para esse fim. Mas são acções de uma pessoa apenas nesta equação."

Trata-se de algumas das promessas feitas durante a campanha que o Presidente cumpre agora antes da cimeira das Américas que terá lugar durante o fim da semana em Trinidad e Tobago. Líderes centro e sul-americanos que vão estar presentes na reunião exortaram o presidente americano a adoptar uma postura mais conciliatória para com Havana.

O Presidente Obama já manifestou o desejo de envolver Cuba num diálogo diplomático significativo.

Mas o anúncio da Casa Branca, na segunda-feira, não fez qualquer referência a aberturas para com os líderes cubanos em Havana. Pelo contrário, o foco foi o intercâmbio directo inter-familiar, encorajando laços inter-familiares, abrindo o caminho a telecomunicações mais seguras entre as mesmas, telefónicas, radiofónicas, televisivas ou via satélite, numa tentativa para alcançar o acesso também aos mercados cubanos.

Os críticos destas iniciativas, entre os quais figuram vários membros cubano-americanos do Congresso, advertiram que o dinheiro enviado para Cuba iria ultimamente parar nos bolsos das entidades oficiais comunistas de Cuba.

Dan Restrepo, Director do Conselho de Segurança Nacional para o Hemisférico Ocidental, na Casa Branca, disse aos jornalistas que o Presidente Obama apelou a Havana afim de não impor mais restrições e taxas as remessas que entram em Cuba:

"Na medida em que nos aqui nos Estados Unidos não criamos obstáculos , assim também o governo cubano deve abrir caminho por forma a que os apoios dos cubano-americanos possam ajudar os seus familiares em Cuba."

Contrariamente às tradições da Casa Branca, o anúncio oficial desta mensagem foi feito em duas línguas, em inglês e espanhol. Dan Restrepo, de origem colombiana, respondeu a perguntas em espanhol aos jornalistas desta língua presentes na cerimónia.



http://www.voanews.com/portuguese/2009-04-14-voa4.cfm?CFID=172492899&CFTOKEN=63726260&jsessionid=8430ca0fc407f01ef39f5a752d74a11273f5

Fundo de fomento para a habitação

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, defendeu ontem a instituição do Fundo de Fomento Habitacional para promover e financiar habitações a custos controlados. Disse também ser necessário “pôr termo à actual especulação desenfreada do sector imobiliário”.
Na cerimónia de abertura da conferência que juntou, no Palácio dos Congressos, em Luanda, agentes imobiliários, empresários, académicos e agentes da sociedade civil, o Presidente da República defendeu uma maior regulação do mercado de solos e do imobiliário, enquanto o Estado tem de assumir o papel fiscalizador para tornar o mercado mais transparente e melhor regulado.
Estas medidas, sublinhou o Chefe de Estado, podem ser executadas através da instituição do Fundo de Fomento Habitacional.
José Eduardo dos Santos, que discursava no Palácio dos Congressos, na cerimónia de abertura da primeira Conferência Nacional sobre Habitação, defendeu eficácia no combate à especulação dos terrenos e a simplificação no processo da sua aquisição para urbanizações pensadas e devidamente estruturadas, sob o ponto de vista técnico.

Um milhão de fogos é uma meta possível

O Presidente da República reafirmou que é possível construir um milhão de casas nos próximos quatros anos, “desde que exista vontade, firmeza, capacidade, organização e planeamento”.
José Eduardo dos Santos reconheceu que isso é “uma tarefa complexa em termos humanos, logísticos, materiais e de mobilização de recursos financeiros, mas não é impossível” e que o Governo quer assumir este compromisso com os angolanos. “Todos juntos podemos cumprir esta meta se arregaçarmos as mangas e trabalharmos bem”, disse o Chefe de Estado.
O Presidente da República defendeu que é imperiosa a adopção de políticas de cidade e de habitação sérias e realistas.
O propósito da conferência, afirmou o Presidente da República, é recolher contribuições para realizar um programa de urbanização de promoção habitacional, com tecnologias adequadas e materiais de construção e os mecanismos para o seu financiamento.

Características regionais devem merecer atenção

As características próprias de cada região devem merecer atenção especial para facilitar a solução dos problemas ligados à construção de infra-estruturas e de habitações, de modo a facilitar a sua harmoniosa integração no ambiente circundante, defendeu o Presidente da República, na Conferência Nacional sobre Habitação.
O Chefe de Estado defendeu a promoção de uma cultura de respeito pelo interesse público, que acabe com os índices elevados de ocupação ilegal e de construção desordenada e clandestina.
O ordenamento do território deve ser visto como um instrumento fundamental da gestão do ambiente e uma das condições essenciais para um processo de desenvolvimento equilibrado e sustentado.
José Eduardo dos Santos justificou esta necessidade com as rápidas e profundas transformações que estão a decorrer no país.

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=103696&Seccao=politica

O jurista João Bessa defendeu ontem a regulamentação do sistema de crédito à habitação e a criação de isenções ou reduções dos impostos sobre a aquisição de imóveis e concessão de terrenos para a construção de residências.
O jurista falava sobre a Estratégia de implementação do Programa Nacional de Urbanismo e Habitação, no primeiro painel da Conferência Nacional da Habitação, ontem no Palácio dos Congressos.
João Bessa defendeu que o Governo deve aprovar as directivas gerais da política de afectação de terrenos para fins habitacionais e a sua concessão ou transferência dos domínios privados do Estado para os governos provinciais. Considerando a dimensão do programa, João Bessa advogou a definição de um quadro de intervenção comum a respeitar por todos os projectos e que uniformize os benefícios à população e o nível de investimento em cada província. O jurista, que trabalha para o Instituto de Geodesia e Cartografia de Angola, propôs a definição de modelos e padrões de intervenção urbanística para garantir a ocupação célere de terrenos e a coerência da intervenção em todo o território nacional, sem descurar o respeito pela legislação em vigor.

Garantir linha arquitectónica com plantas de construção

O prelector disse que os cidadãos podem adquirir os lotes para a construção de habitação através de um requerimento dirigido à administração municipal, que concederá os terrenos urbanizados.
Para garantir uma linha arquitectónica, pode ser elaborada uma ou várias plantas a serem seguidas na construção, permitindo assim que o cidadão construa dentro de um programa urbanístico.
Ao intervir no painel, o governador da Huíla, Isaac dos Anjos, defendeu a necessidade da transferência do lote de terreno ao cidadão com o seu correspondente direito de propriedade.
O arquitecto Hélder José alertou para a necessidade de se criar primeiro as infra-estruturas antes de se conceder terrenos aos cidadãos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Obama abre os braços ao Islão


A história pode vir a recordar este dia. Recebido com aplausos no parlamento turco, Barack Obama abriu os braços ao mundo muçulmano, propondo uma verdadeira aliança de civilizações com o Islão.

A América quer virar a página nas relações com os muçulmanos. Obama não podia ter sido mais claro:

“Os Estados Unidos não estão, nem nunca vão estar em guerra com o Islão. De facto, a nossa parceria com o mundo muçulmano é fundamental, não só para obrigar ao recuo das ideologias violentas que os crentes de todas as religiões rejeitam, mas também para fortalecer as oportunidades para todas as pessoas”.

Nesta viragem de 180º na política externa, Washington procura o consenso para acabar com a ameaça da Al-Qaida.

O presidente americano piscou o olho ao Irão, propondo uma escolha ao país vizinho da Turquia:

“O Irão é uma grande civilização. Queremos que se empenhe na integração económica e política que traz prosperidade e segurança. Mas os líderes iranianos têm de escolher se querem tentar construir uma arma ou construir um futuro melhor para o seu povo”.

Quanto à questão israelo-palestiniana, Obama voltou a sublinhar que apoia “firmemente” a solução de dois estados.

A visita à Turquia, um país de maioria muçulmana, conclui com chave de ouro o bem-sucedido périplo europeu de Barack Obama.


http://pt.euronews.net/2009/04/07/obama-abre-os-bracos-ao-islao/http://pt.euronews.net/2009/04/07/obama-abre-os-bracos-ao-islao/

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Friedrich Ratzel e a teoria do "Lebensraum" (espaço vital)

“Toda a vida do Estado tem as suas raízes na terra, numa terra marcada por três elementos fundamentais: a situação (Lage), o espaço (Raum) e a própria Fronteira (Grenze).”

Friedrich Ratzel

Professor Doutor Luís Manuel Vieira de Andrade
Cláudio Borges Almeida

Biografia

Friedrich Ratzel nasceu em 30 de Agosto de 1844, em Karlsruhe na Alemanha.
Filho de um chefe das ordenanças do Grão-ducado de Boden, região da Alemanha, licenciou-se em farmacêutica e Zoologia. Depois de terminar o curso na Universidade de Heidelberg, publicou, em 1869, o seu primeiro livro - um texto sobre Darwin e a Teoria da Evolução. Em 1870 alista-se nas tropas alemãs que combatem a França de Napoleão III.
Ratzel fez várias viagens que fariam dele um geógrafo (Itália, Estados Unidos da América, China). As primeiras viagens foram ao longo do Mar Mediterrâneo, sobre as quais publicou relatos no Kölnische Zeitung, jornal que lhe possibilita emprego como jornalista e repórter de turismo, obtendo, desta forma, os meios necessários para viajar pelo mundo.
Em 1874 Ratzel desloca-se aos Estados Unidos e México numa viagem decisiva para a carreira deste intelectual alemã. Dedica-se ao estudo da colonização alemã nos Estados Unidos e no resto da América do Norte, especialmente na região centro – oeste do continente, chegando à conclusão que [1]“o homem vivia sujeito às leis da natureza com propagação das ideias deterministas”. Ratzel salientava a existência de uma grande influência do meio natural sobre o homem.
É na sequência daquela visita que são publicados os seus dois grandes trabalhos de cariz geográfico: “Quadros das cidades e da civilização norte-americanas” (1874) e “Os Estados Unidos do Norte da América” (1878-80)
Antes, em 1868, já havia publicado “O Ser e o Devir no Mundo Orgânico”, e mais tarde “Quadros da Guerra com a França”, no qual relata a campanha militar alemã na guerra de 1870/71com a França.
Em 1875 regressa à Alemanha e torna-se professor de Geografia na Universidade de Munique, sendo mais tarde promovido a professor com “livre - docência”.
A acção e o pensamento de Ratzel insere-se, plenamente, no contexto fortemente nacionalista da sua época, envolvendo-se, apaixonadamente, nos debates sobre o papel da Alemanha no mundo.
Em 1882 é publicada a obra “Antropogeografia”, abordando a evolução dos povos da Terra, as relações entre a civilização e aspectos de natureza demográfica e os métodos de representação cartográfico das deslocações humana, e, em 1897, “Politische Geographie” (Geografia Política), na qual relata a geografia dos Estados, do comércio e da guerra, que mais tarde, no início do século XX, vem a servir de inspiração ao cientista político sueco Rudolf Kjellén, no surgimento do termo "Geopolítica".
Friedrich Ratzel é considerado o fundador da Geopolítica Alemã.
Ratzel morre no dia nove de Agosto de 1904 na cidade alemã de Ammerland. Após a sua morte as suas obras influenciaram uma série de autores que lhe sucederam, como Rudolf Kjellén, Karl Haushofer e Mackinder.

Contexto Histórico

Friedrich Ratzel viveu numa época atribulada da Alemanha.
Ratzel desenvolve o seu pensamento num contexto nacional e internacional muito próprio, em que a Alemanha, liderada por Bismarck, unificava-se como Estado e assume-se como potência mundial.
Filosoficamente, [2]“a Alemanha era a síntese do primado da razão de Kant, do determinismo e materialismo histórico de Hegel e do romantismo místico e nacionalista de Herder, Fichte e Treitschke”.
Se durante aquele período o poder ficara nas mãos dos “junkers” - grandes proprietários das terras (representantes da ordem feudal) e disperso pelas várias unidades confederadas, com a tardia adopção das novas medidas capitalistas condicionava-se o desenvolvimento económico, social e político da Alemanha, em contraste com os países mais desenvolvidos da época.
É com a vitória da Prússia sobre a Áustria, na Guerra Austro – Prussiana, que a Prússia se torna a potência hegemónica na Alemanha. A fase seguinte consistiria em fazer com que outros estados aderissem ao seu projecto de guerra contra a França por esta se opor à integração dos Estados do sul na unificação e formação do novo país. Conseguiu-o plenamente, também derrotando a França e Napoleão III. O chanceler prussiano Bismarck inicia, assim, o processo de unificação da Alemanha
Com os novos ideais nacionalistas que se espalhavam por toda a Europa e com a afirmação dos Estados e dos Impérios coloniais, as características do novo Estado Alemão, ou seja, uma organização militarizada da sociedade e do Estado herdada da Prússia e um expansionismo latente, podem ser explicadas pela situação da Alemanha no contexto europeu. Isto é, o país emerge como mais uma unidade do capitalismo, só que sem a presença de colónias, há semelhança da França, Holanda, Inglaterra e mesmo Portugal, em que estes eram detentores de impérios coloniais. Desta forma, havia uma necessidade de expansionismo à medida que procedesse ao seu desenvolvimento interno.
A deterioração do Estado é maior quando a Alemanha sufoca nas suas fronteiras, sem espaço para se expandir e para “respirar”. Rodeada por território já habitado, a Alemanha sente a falta de terras, de recursos de mercado e de matérias-primas. Contudo, também receia pela sua vulnerabilidade. A crise económica verificada em 1873, após a vitória sobre a França de Napoleão, faz nascer a ambição de procurar espaços para se expandir.
O capitalismo alemão carecia de soluções práticas. Havia a necessidade de recorrer à geografia como forma de resolver o problema.

A Geopolítica

A Geopolítica é uma disciplina das Ciências Humanas que articula a Ciência Política com a Geografia. Considera o papel político internacional que os Estados desempenham em função das suas características geográficas - a localização, o território, a posse dos recursos naturais e o contingente populacional. É o estudo da estratégia, da manipulação, da acção. Estuda o Estado enquanto organismo geográfico, ou seja, é o “estudo da relação intrínseca entre a geografia e o poder ”. É o método de análise que utiliza os conhecimentos da geografia física e humana para orientar a acção política do Estado.
A Geopolítica é a ciência feita na decorrência das condições geográficas, o que é um verdadeiro paradigma da disciplina que nasceu historicamente do ramo da política.
Foi Rudolf Kjellen quem, pela primeira vez, deu o nome de geopolítica como uma parte política.
O Estabelecimento de conexões da geografia política vem desde a Antiguidade Clássica. Na Grécia Antiga, as observações produzidas por diversos pensadores não tiveram qualquer intenção teorizante sobre o assunto. Eram de carácter casual e intuitivo. É naquelas observações que podemos integrar algumas relações ambientais produzidas por Platão, Aristóteles e Heródoto, desligadas da “acção” e do “devir”. Alexandre da Macedónia recorre à geografia no reconhecimento das terras mal conhecidas para avaliar as possibilidades de sustentação dos exércitos e a natureza da administração e implementação. A geografia passa a ter uma utilização minuciosa no sentido estratégico do Estado e ao serviço da própria política. Estrabão afirmava que [3]“a geografia é obra política mais do que cientifica. Deve servir os interesses dos governantes. Também se deve ligar as particularidades físicas e atmosféricas que explicam em parte a vida e o comportamento dos habitantes, bem como os recursos económicos, os modos de vida, as tradições ancestrais e os usos e costumes que revelam muitas vezes os acasos da existência”.
A geografia desenvolveu-se a partir dos descobrimentos marítimos portugueses e espanhóis e o mundo ficou a ser mais conhecido. Conquistaram-se territórios em África, na Índia e nas Américas. Instalaram-se pontos chaves estrategicamente posicionados para a defesa e controlo do comércio marítimo com esses novos mundos. Desenvolveu-se uma política expansionista. A geografia passa a constituir um verdadeiro saber ao serviço dos governantes e do poder.


http://paralelosocial.blogspot.com/2008/01/geopoltica-e-geoestrategia.html


Friedrich Ratzel vai ser responsável por novas formulações no processo de sistematização da Geografia. Este alemão publica suas obras nos últimos anos do século XIX, e vivencia também uma nova realidade histórico-política da Alemanha. Diferente dos outros participantes dos ramos geográficos como Humboldt e Ritter que vivenciaram o aparecimento do ideal de unificação alemã, Ratzel vai estar presente na constituição real do Estado nacional alemão. Com essa diferença histórica em que ele vive, suas formulações só são possíveis de serem compreendidas em função de determinada época e sociedade. É a partir de 1754 que entre os alemães, a Geografia inicia o seu caminho para o status científico. Surgem na verdade, duas vias para esse estudo: a "geografia político-estatística" e a "geografia pura", sendo que Ratzel virá a se relacionar com esta última. A "geografia político-estatística" define o papel da geografia como sendo o de montagem do painel mais amplo e sistemático possível de uma dada conjuntura, tomando por base territorial sua unidade político regional. Enquanto a "geografia pura" assenta as suas bases numa unidade regional criando critérios que mostram os limites naturais do terreno. A geografia no geral na Alemanha, passa por um grande processo de transformação, sem que haja uma ruptura na questão do saber institucionalizado. Ao contrário, o que acontece com a geografia na verdade, é uma mudança com o intuito de servir aos propósitos daquilo que viria a movimentar a Alemanha: o capitalismo. Antes de mais nada, se faz necessário compreender a história da unificação alemã para que somente assim haja uma maior compreensão da geografia de Ratzel. A Alemanha daquele época tinha como características, as tardias relações capitalistas que se conciliaram com as estruturas feudalistas. Observa-se também que o poder se encontrava disperso pelas várias unidades confederadas, devido ao fruto de dominações locais. Havia uma luta pela hegemonia entre a Prússia e a Áustria. Na verdade dois fatores contribuíram de forma decisiva para a unificação, a Confederação Germânica e a repressão aos levantes populares de 1848. Estes levantes populares, tiveram o apoio também das classes dominantes, estabelecendo-se assim, ligações políticas e militares, devido ao fato de que essas massas populares desejarem a unificação do Estado. Em decorrência disso, a disputa entre Prússia e Áustria tornou-se cada vez mais acirrada, sendo que a vitória prussiana iria determinar as características do Estado. Ou seja, uma organização militarizada da sociedade e do Estado. O poder do Estado alemão naquele período ficara nas mãos dos junkers ( proprietários de terras, representantes da ordem feudal ), o que condicionou a formação de uma imensa monarquia burocrática. Esta unificação reacionária juntamente com a organização militarizada e um expansionismo latente do Estado alemão são explicadas pela situação da Alemanha no contexto europeu. Isto é, o país emergia como mais uma unidade do centro capitalista, só que sem a presença de colônias. Dessa forma, a necessidade de expansionismo aumentava a medida em que um desenvolvimento interno se consolidava e o estímulo a fazer a geografia, ou seja, a se pensar nos espaços geográficos. O capitalismo alemão carecia de soluções práticas, não mais apenas de informações. As idéias virão então da geografia, que vai acabar influenciando outros ramos de estudos. Se para o capitalismo inglês e francês o papel da geografia é de lhes viabilizar a expansão colonial, para o capitalismo alemão seu papel será o de dar respostas a questões ainda preliminares, ou seja, a unidade alemã. A partir daí a figura de Ratzel começa a se destacar no cenário alemão. Ele vai ser o representante engajado a um projeto estatal, em que vai propor uma legitimação do expansionismo de Bismarck ( primeiro-ministro da Prússia e do Império Alemão). E é com a sua obra publicada em 1882, Antropogeografia - fundamentos da aplicação da Geografia à História, que Ratzel assim funda a Geografia Humana. Nesta obra, Ratzel procurou definir o objeto geográfico como o estudo da influência que as condições naturais exerciam sobre a humanidade. As influências na qual Ratzel afirma, atuariam nos aspectos fisiológicos, nos psicológicos dos seres humanos e através deles, na própria sociedade. Outro aspecto a salientar, é que a natureza influenciaria na constituição social, devido a riqueza que ela proporciona. A natureza também poderia possibilitar a expansão de um povo, ou criar barreiras, assim como o isolamento ou uma possível mestiçagem. Ratzel fez um estudo minucioso sobre as influências geográficas criticando as duas posições mais discutidas: a que nega essas influências e a que visa estabelecê-la de imediato. Para ele, as influências vão ocorrer através das condições econômicas e sociais. Ratzel retirará de Spencer, um importante pensador, a noção da sociedade como um organismo e a concepção naturalista do desenvolvimento da sociedade humana. Sendo assim, a cadeia de raciocínio como veremos é basicamente linear, começando com os homens, estes agrupando-se em sociedades, as sociedades transformando-se em Estados e o Estado em um organismo. Sendo que a Sociedade e o Estado são frutos orgânicos do determinismo do meio. Segundo Ratzel, a sociedade como um todo, é um organismo que mantém relações com o solo, nas suas necessidades de moradia e alimentação. O progresso significa um maior uso do meio, ou seja, uma relação mais íntima com a natureza. Quanto maior o vínculo com o solo, tanto maior seria necessidade de manter a sua posse. Daí advém que a sociedade cria o Estado, segundo Ratzel. O Estado é um organismo em parte humano e em parte terrestre. O Estado é assim porque possui uma relação necessária com a natureza, ou seja, os Estados necessitam de espaço como as espécies, por isso lutam pelo seu domínio. A subsistência, energia, vitalidade e o crescimento dele têm por motor a busca e conquista de outros espaços. A análise das relações, entre o Estado e o espaço, foi um dos pontos privilegiados da Antropogeografia. Para Ratzel, o território representa as condições de trabalho e da própria existência da sociedade. Por outro lado, a necessidade de aumentar as expansões territoriais são consequências do progresso, ou seja, Ratzel vai justificar suas colocações com o conceito de "espaço vital", em que este representa uma proporção de equilíbrio entre a população e os recursos oferecidos para que se possa suprir as suas necessidades. Dessa forma, é possível ver a vinculação entre o projeto imperial alemão e as formulações de Ratzel para a sua época, legitimando assim o imperialismo bismarckiano. A Geografia proposta por Ratzel privilegiava o ser humano, e abriu várias frentes de estudo, valorizando assim questões referentes à História e ao espaço geográfico como a formação dos territórios, a dispersão dos homens no globo, as distribuições dos povos e raças, seus isolamentos, além de estudos que se referiam as áreas habitadas. Tudo isto, baseado nas influências que Ratzel propôs anteriormente. Ele manteve a idéia da Geografia como ciência empírica, cujos procedimentos de análise seriam a observação e a descrição, ao mesmo tempo em que proponha ir além da descrição, buscando a síntese das influências na escala planetária. De resto, ele manteve a visão de um naturalista, ou seja, reduziu o homem a um animal ao não diferenciar as suas qualidades específicas; dessa forma propôs o método geográfico como análogo as demais ciências e concebia a causalidade dos fenômenos humanos como idêntica a dos naturais. Assim, Ratzel ao propor uma Geografia do Homem, entendeu-a como uma ciência natural. Os estudos de Ratzel influenciaram muitos outros autores, sendo que suas colocações foram bastantes radicalizadas constituindo-se assim a "escola determinista", ou do "determinismo geográfico". Contudo, muitos desses estudiosos, empobreceram as teorias de Ratzel, por excluírem as influências geográficas, ou seja, eles estavam buscando evidências empíricas para as teorias formuladas. Nomes como E. Semple e E. Huntington estiveram presentes nesta escola. A primeira apresentou teorias que relacionava as religiões com os relevos; nas regiões planas, predominavam as religiões monoteístas; nas regiões acidentadas, as religiões politeístas. Já para Huntington, ele determinou que as dificuldades do meio é que fariam com que houvesse um maior desenvolvimento, e isto é explicado na sua obra chamado Clima e sociedade. Além desta teoria, ele defende a idéia de que os invernos rigorosos formaram o fator principal para o desenvolvimento das sociedades européias, principalmente no que diz respeito aos aspectos de estocagem de alimentos, abrigos, entre outros. Outro desdobramento da proposta de Ratzel manifestou-se na constituição da Geopolítica. Esta corrente, dedicada ao estudo da dominação dos territórios, partiu das colocações ratzelianas, referente à ação do Estado sobre o espaço. Os autores desenvolveram teorias e técnicas que legitimavam o imperialismo. Ou seja, as formas de se conquistar e manter os territórios. Entre esses autores, estavam Kjeilen, Mackinder e Haushofen. O primeiro criou o rótulo Geopolítica. Já o segundo, trouxe consigo temas e discussões a respeito dos domínios das rotas marítimas, as áreas de influência de um país e as relações internacionais. O último, um general alemão e presidente da Academia Germânica no seu governo, foi outro teórico da Geopolítica que deu um sentido bélico definindo-a como parte da estratégia militar. Ele desenvolveu teorias referentes à ação do clima sobre os soldados e criou uma escola que mais tarde influenciaria o Nazismo. Uma última perspectiva saída das formulações de Ratzel, fora conhecida como escola "ambientalista". Esta mais recente, não é considerada um ramo da Antropogeografia, embora tenha sido Ratzel o responsável formulador das suas bases. Esta corrente vai propor o estudo do homem em relação aos elementos do meio em que ele está inserido. O conjunto dos elementos naturais é abordado como o ambiente em que o homem vive. O ambientalismo representa uma visão determinista bastante atenuada, ou seja, a natureza é vista como um suporte da vida do ser humano e não como determinação. O ambientalismo se desenvolveu modernamente com o apoio da Ecologia. A idéia de estudar as relações dos organismos que coabitam determinado meio, já estava presente em Ratzel, devido a influência que sofreu de Haeckel, o primeiro formulador da Ecologia. Sendo assim, é notório que o desenvolvimento da Antropogeografia de Ratzel ajudou não só o interesse imperialista alemão de Bismarck, mas em entender as relações do meio com os seres humanos. Entender acima de tudo, a importância do meio em que vivemos, pode ajudar no desenvolvimento das sociedades não só daquela época, mas de sociedades que poderão vir. O que dignifica o trabalho de Ratzel, que veio a ser usado não só pelo governo alemão, é saber que se transformou numa das bases mais importantes para os estudos de outros ramos como a Ecologia, e que aumentou cada vez mais a necessidade de se aprender a lidar com o meio ambiente, que devido as inúmeras desenvolturas tecnológicas, vem mudando constantemente a sua face.
http://geografiadocpm.blogspot.com/2008/02/ratzel-e-sua-retrica-sobre-o-espao.html

Reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque


O lançamento de um foguetão norte-coreano conseguiu não só preocupar, como dividir a comunidade internacional.

A reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, terminou sem um acordo quanto às acções a tomar face à Coreia do Norte.

Os 15 países representados na instância apenas concordaram em dar continuidade às discussões.

O embaixador japonês na ONU defende que “apesar de todos os esforços”, Pyongyang avançou com o lançamento, o que é “bastante lamentável”. O Conselho de Segurança deveria “condená-lo. Para manter a sua autoridade e seriedade na implementação das decisões feitas no passado, deve enviar um sinal bastante claro, forte e firme à Coreia do Norte”.

Tóquio, Washington e Seul defendem que a acção norte-coreana viola a resolução 1718, que proíbe Pyongyang de realizar testes de mísseis balísticos.

Mas a China – principal aliada do regime de Kim Jong-Il – e a Rússia, ambas com poder de veto no Conselho de Segurança, não estão convencidas de que o lançamento do que a Coreia do Norte diz ser um satélite de comunicações represente uma violação das resoluções da ONU.

http://pt.euronews.net/2009/04/06/reuniao-do-conselho-de-seguranca-termina-sem-consenso-sobre-a-coreia-do-norte/


Barack Obama na Turquia


É a primeira visita do presidente dos Estados Unidos a um país de maioria muçulmana, marcada por divergências entre os dois lados do Atlântico.

Barack Obama conclui na Turquia a primeira digressão europeia como chefe de Estado norte-americano.

Washington quer o apoio de Ancara para a nova estratégia no Afeganistão e no Iraque e, na República Checa, Obama defendeu a entrada da Turquia na União Europeia como um meio de aproximação aos países muçulmanos: “Avançar para a integração da Turquia na União Europeia seria um sinal importante do nosso compromisso e garantiria que continuamos a manter a Turquia firmemente ligada à Europa.”

Obama esteve reunido em Praga com os líderes dos Vinte e Sete para debater as posições a tomar face aos novos desafios mundiais. Apesar do tom consensual, o apoio às aspirações europeias de Ancara desagradou a Alemanha e contou com a oposição firme do presidente francês: “A decisão cabe aos países membros da União Europeia. Sempre me opus e continuo a opor-me a essa entrada. Creio poder dizer que uma imensa maioria dos Estados-membros mantém a mesma posição que a França. A Turquia é um país bastante grande, aliado da Europa e dos Estados Unidos, e deve manter-se como parceiro privilegiado.”

Hoje, o presidente norte-americano será recebido pelo homólogo turco e pelo chefe do Governo Recep Tayyip Erdogan, antes de discursar no Parlamento de Ancara e participar na segundo Fórum da Aliança de Civilizações, em Istambul.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

G-20 começou em londres sob fortes protestos nas ruas


Proibidas meias medidas

A cimeira do Grupo dos 20, que reúne os líderes dos principais países industrializados e dos mercados emergentes, tem hoje início em Londres, rodeada de uma gigantesca segurança.
A polícia de Londres foi obrigada a enfrentar protestos “sem precedentes” e cancelou as folgas de todos os agentes durante o dia de hoje, para evitar distúrbios durante a reunião.
Funcionários de instituições financeiras foram aconselhados a evitar o uso de roupas formais para não atraírem a atenção de manifestantes anti-capitalistas que realizaram grandes protestos na City, o coração financeiro de Londres.
Também houve protestos de grupos pacifistas em frente à embaixada dos Estados Unidos e na Praça Trafalgar, no centro da cidade, além de manifestações de ambientalistas ou anarquistas.
A operação policial montada para assegurar a realização da cimeira, que recebeu o nome de código “Glencoe”, é a mais complexa operação de segurança realizada na capital britânica.
Além de enfrentar os protestos e evitar que resultem em episódios de violência, a polícia está a proteger mais de 50 delegações de alto nível que estão presentes em Londres para o encontro, previsto inicialmente para dois dias mas que, agora, inicia e termina mesmo hoje.

Posição de Obama

A Cimeira do G-20 não pode permitir “meias medidas”, afirmou o Presidente norte-americano ontem de manhã aos jornalistas. Numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, Barack Obama afirmou que o encontro de Londres “se deve concentrar sobre os pontos comuns e não nas divergências episódicas”.
“Eu sei que as nações do G-20 estão acertadamente a tentar seguir as suas próprias abordagens. Não vamos concordar em todos os pontos”, disse Obama.
“Vim cá para apresentar ideias, mas também para ouvir, não para dar sermões. Dito isto, não devemos perder a oportunidade de liderar, enfrentar uma crise que não conhece fronteiras”.
Esta é a primeira vez que o novo Presidente americano participa num evento internacional desde que tomou posse, em Janeiro.
Os Estados Unidos têm estado sob forte pressão para mostrar que o país onde começou a crise global é também aquele que vai mostra o caminho a seguir.
“Estou absolutamente confiante que este encontro vai reflectir o enorme consenso sobre a necessidade de trabalharmos em conjunto para lidar com estes problemas”, afirmou, numa aparente referência às declarações do seu homólogo francês, Nicolas Sarkozy, de que a França e a Alemanha não concordavam com o comunicado final da cimeira que estava a ser desenhado.
“Há um grande desejo de injectar algum conflito e drama à ocasião, mas a verdade é que há convergências e creio que os EUA são capazes de liderar neste período tão difícil”.
Mas esta cimeira não se pode ficar “pelo mínimo denominador comum”, salientou ainda o Presidente dos EUA, citado pelo “Guardian” online que publicou um relato da conferência minuto a minuto.
Os dois líderes adiantaram que “soluções globais” são necessárias para “problemas globais”, e que esta cimeira apresenta “cinco testes” que é preciso aprovar.
Uma melhor regulação financeira, medidas de criação de emprego, apoio ao crescimento nos mercados emergentes, resistir ao proteccionismo, com mais dinheiro para apoio ao comércio, e ajuda aos países pobres.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cimeira do G20


Depois do pequeno-almoço, os líderes mundiais presentes na cimeira do G20 pousaram para a tradicional foto de família. Seguiu então a sessão plenária da reunião.
Para além dos representantes da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional e da Organização Mundial de Comércio, a reunião junta à mesa das negociações os líderes dos sete países mais industrializados do mundo, (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão e Alemanha, grupo conhecido por G7) e os líderes das economias emergentes (Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul e Turquia.) Espanha também está presente a convite do governo britânico.
Barack Obama foi o primeiro a chegar ao centro ExCel, em Londres, onde decorre a cimeira. O presidente norte-americano foi recebido pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown às 07h40, mesma hora em Lisboa. O encontro começou oficialmente às 08h30.
Os dirigentes do G20 chegaram aos poucos e poucos ao recinto, nas margens do Tamisa e junto à City, onde vão tentar aproximar posições sobre a forma de resolver a crise financeira e económica global.
O G20 representa 85 por cento da economia mundial e cerca de dois terços da população do planeta.
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