sexta-feira, 3 de abril de 2009

G-20 começou em londres sob fortes protestos nas ruas


Proibidas meias medidas

A cimeira do Grupo dos 20, que reúne os líderes dos principais países industrializados e dos mercados emergentes, tem hoje início em Londres, rodeada de uma gigantesca segurança.
A polícia de Londres foi obrigada a enfrentar protestos “sem precedentes” e cancelou as folgas de todos os agentes durante o dia de hoje, para evitar distúrbios durante a reunião.
Funcionários de instituições financeiras foram aconselhados a evitar o uso de roupas formais para não atraírem a atenção de manifestantes anti-capitalistas que realizaram grandes protestos na City, o coração financeiro de Londres.
Também houve protestos de grupos pacifistas em frente à embaixada dos Estados Unidos e na Praça Trafalgar, no centro da cidade, além de manifestações de ambientalistas ou anarquistas.
A operação policial montada para assegurar a realização da cimeira, que recebeu o nome de código “Glencoe”, é a mais complexa operação de segurança realizada na capital britânica.
Além de enfrentar os protestos e evitar que resultem em episódios de violência, a polícia está a proteger mais de 50 delegações de alto nível que estão presentes em Londres para o encontro, previsto inicialmente para dois dias mas que, agora, inicia e termina mesmo hoje.

Posição de Obama

A Cimeira do G-20 não pode permitir “meias medidas”, afirmou o Presidente norte-americano ontem de manhã aos jornalistas. Numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, Barack Obama afirmou que o encontro de Londres “se deve concentrar sobre os pontos comuns e não nas divergências episódicas”.
“Eu sei que as nações do G-20 estão acertadamente a tentar seguir as suas próprias abordagens. Não vamos concordar em todos os pontos”, disse Obama.
“Vim cá para apresentar ideias, mas também para ouvir, não para dar sermões. Dito isto, não devemos perder a oportunidade de liderar, enfrentar uma crise que não conhece fronteiras”.
Esta é a primeira vez que o novo Presidente americano participa num evento internacional desde que tomou posse, em Janeiro.
Os Estados Unidos têm estado sob forte pressão para mostrar que o país onde começou a crise global é também aquele que vai mostra o caminho a seguir.
“Estou absolutamente confiante que este encontro vai reflectir o enorme consenso sobre a necessidade de trabalharmos em conjunto para lidar com estes problemas”, afirmou, numa aparente referência às declarações do seu homólogo francês, Nicolas Sarkozy, de que a França e a Alemanha não concordavam com o comunicado final da cimeira que estava a ser desenhado.
“Há um grande desejo de injectar algum conflito e drama à ocasião, mas a verdade é que há convergências e creio que os EUA são capazes de liderar neste período tão difícil”.
Mas esta cimeira não se pode ficar “pelo mínimo denominador comum”, salientou ainda o Presidente dos EUA, citado pelo “Guardian” online que publicou um relato da conferência minuto a minuto.
Os dois líderes adiantaram que “soluções globais” são necessárias para “problemas globais”, e que esta cimeira apresenta “cinco testes” que é preciso aprovar.
Uma melhor regulação financeira, medidas de criação de emprego, apoio ao crescimento nos mercados emergentes, resistir ao proteccionismo, com mais dinheiro para apoio ao comércio, e ajuda aos países pobres.

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