quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Republicano John Boehner é novo presidente da Câmara dos EUA

Por Thomas Ferraro e Andy Sullivan

WASHINGTON (Reuters) - Os republicanos atenuaram seus planos para cortes profundos dos gastos do governo dos Estados Unidos, no momento em que assumiram o poder da Câmara dos Deputados na quarta-feira, voltando atrás na promessa fundamental que ajudou na sua vitória na eleição de novembro.

Um importante republicano também indicou que o partido poderá colaborar com a administração do presidente Barack Obama, um democrata, para evitar uma crise da dívida nos próximos meses.

"Nossos gastos ultrapassaram nossas capacidades, e nossa dívida em breve será maior do que toda a nossa economia. O trabalho árduo e as decisões difíceis serão necessários", disse presidente eleito da Câmara, John Boehner, em trechos de um discurso.

Boehner assume o lugar da democrata Nancy Pelosi.

O controle pelos republicanos da Câmara e sua minoria maior no Senado inaugura uma nova era de governo dividido, após seus grandes ganhos nas eleições, devido principalmente à raiva do eleitor com o desemprego e o déficit de 1,3 trilhão de dólares.

Mas os democratas de Obama ainda controlam o Senado e podem bloquear a agenda republicana, que inclui um plano para revogar a reforma na saúde e os maiores controles sobre Wall Street.

O futuro líder de orçamento da Câmara, o republicano Paul Ryan, disse ao programa "Today" da rede NBC que uma promessa de campanha republicana de cortar 100 bilhões de dólares nos gastos deste ano tinha sido "comprometida" pela dinâmica dos gastos já em andamento.

Os cortes reais apresentados podem ser "significativamente menores" do que os 50 bilhões de dólares, disse um assessor, porque o ano fiscal estará na metade quando os republicanos tiverem a chance de alterar os gastos. Um acordo de impostos em dezembro mostrou que Obama e a oposição podem trabalhar juntos, mas a cooperação é difícil em muitas questões, com os Estados Unidos se recuperando lentamente de sua pior recessão desde a década de 1930.

Ryan disse que vai tentar obter concessões de gastos do governo Obama em troca de um aumento do teto da dívida nacional.

"Eu não estou interessado em elevar o teto da dívida na esperança de que a promessa seja cumprida num momento posterior", disse Ryan à MSNBC.

"Eu só estou interessado em elevar o teto da dívida se conseguirmos concessões nos gastos, nos controles reais para reverter a situação fiscal e ir na direção certa."

Os comentários sugerem que os republicanos estão dispostos a trabalhar com Obama sobre o aumento do nível da dívida pública, mas as negociações poderão fracassar antes das votações, em março ou abril.

Na Casa Branca, o porta-voz Robert Gibbs instou os republicanos a colaborarem com a votação do limite da dívida "de uma forma que seja responsável e que não comprometa a plena fé e o crédito de nosso governo".

Os dois partidos terão seu primeiro grande embate na próxima semana, quando líderes republicanos da Câmara pretendem vetar a reforma da saúde de Obama. A ação será com certeza repelida pelo Senado, liderado pelos democratas, mas a votação poderá definir o tom dos combativos primeiros meses.

Pelosi disse que o Congresso deve se concentrar na alta taxa de desemprego, que custou aos democratas a derrota nas eleições.

"Nossa tarefa mais importante é lutar por empregos. Os democratas vão avaliar o que será apresentado ao Congresso pelo critério de o que gera empregos, fortalece a classe média e reduz o déficit, sem sobrecarregar as gerações futuras com dívidas," disse ela.

Obama terá a oportunidade de oferecer sua própria visão no início do ano, quando fizer o discurso do Estado da União ao Congresso e revelar o novo orçamento. Ele poderá propor uma reforma tributária, como forma de chegar a um acordo importante com os republicanos.

(Reportagem adicional de Richard Cowan, Alister Bull e David Morgan)

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE7040HB20110105?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0

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