domingo, 2 de janeiro de 2011

Gbagbo ficará entrincheirado a menos que se use força

Por Tim Cocks

ABIDJAN (Reuters) - Um porta-voz de Allassane Ouattara, candidato à presidência da Costa do Marfim, disse neste sábado que a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS na sigla em inglês) deve usar força militar em breve para remover Laurent Gbagbo, ou ele vai se entrincheirar no poder.

Três presidentes de países membros da ECOWAS estão planejando uma segunda rodada de conversações com Gbagbo, que está no comando há dez anos do principal país produtor de cacau, para dizer que ele deve ceder o poder para Ouattara ou terá que enfrentar "força legítima".

"Só existe uma solução. É a força", disse o porta-voz de Ouattara, Meite Sindou, aos repórteres no Golf Hotel, em Abidjan, onde Ouatara estabeleceu a sua base, protegido por cerca de 600 soldados das tropas de paz da ONU.

"Depois de amanhã é o dia da ultima rodada de conversas. Depois disso, as forças da ECOWAS terão que agir. Gbagbo acha que depois de dois ou três meses, ele poderá sobreviver e ficar no poder (...) e ele não deixa de ter razão. Será mais difícil (removê-lo)", ele disse.

Sindou disse que uma força de intervenção de 2000 a 3000 tropas será suficiente para expulsar Gbagbo.

"Um bom plano, uma decisão firme. Assim, ele sairá. Gbagbo não quer enfrentar a força", ele disse.

Gbagbo não tem dado sinais de que cederá à crescente pressão internacional para renunciar, já que a suprema corte da Costa do Marfim, presidida por um dos seus aliados, derrubou o resultado da eleição de 28 de novembro, que dava a vitória a Ouattara por oito pontos percentuais.

Mais de 170 pessoas foram mortas desde o início do impasse, que reacendeu a tensão no maior produtor de cacau do mundo e ameaça reiniciar uma guerra civil como a que ocorreu entre 2002 e 2003. Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções a Gbagbo e aos seus aliados, ao passo que o Banco Mundial e o Banco Central da África Ocidental cortaram seus financiamentos, em um esforço para enfraquecer o seu controle do poder.

Os chefes de segurança da ECOWAS se reuniram na semana passada na Nigéria para trabalhar em um possível plano de intervenção.

Perguntado na sexta-feira de ele sairia do poder caso houvesse uma operação da ECOWAS para retirá-lo, Gbagbo disse à TV Euronews: "Vou ver. Vou pensar nisso. Mas, no momento, isso não é um problema".

Temendo uma possível passeata de seguidores de Gbagbo, forças da ONU, armadas com escudos e gás lacrimogêneo, fizeram exercícios na estrada que leva ao Golf Hotel onde tropas da ONU montam guarda, entrincheiradas, com metralhadoras.

As estradas foram bloqueadas pelas forças militares do país, desde que um tiroteio entre forças pró-Gbagbo enfrentaram forças pró-Ouattara, no dia 16 de dezembro. Só helicópteros da ONU podem entrar ou sair, além de um ou outro caminhão de abastecimento.

"Estamos presos", disse Traore Dramane, de 24 anos, partidário de Ouattara, um importador que está dormindo no chão, em um dormitório improvisado. "É muito perigoso sair. As forças militares estão em todo lugar. Se eu tentar sair, posso ser morto".


http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE70005B20110101?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0

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