quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Estados Unidos: Perante o paradoxo da China Desacordos políticos e comericiais no pano de fundo das relações bilaterais

Washington, 29 Dez - As relações sino-americanas enfrentaram uma série de desafios durante o ano de 2010, isso enquanto os laços entre as duas maiores economias mundiais parecem mais do que nunca estar numa disputa sem limites.

Analistas das relações China – Estados Unidos falam dos factores que têm dificultado a aproximação entre os dois países.

O ano de 2010 iniciou com a China a cortar as relações militares com os Estados Unidos, e dias depois, a companhia Google revelava foi alvo de um ataque altamente sofisticado com origens na China.

Em Fevereiro, o presidente Barack Obama encontrou-se com o líder espiritual Tibetano Dalai Lama, isto apesar de protestos de Pequim, que levantaram questões sobre uma possível ausência do presidente chinês Hu Jintao na cimeira sobre a Segurança Nuclear de Abril em Washington. No final o líder chinês acabou por participar no evento.

Cheng Li do Brookings Instituto descreve as relações sino-americanas.

“É um paradoxo de esperança e medo; é um paradoxo de progresso e de tremendos problemas, um paradoxo de confiança e possível desastre.”

As duas nações deram início este ano da cooperação no domínio de energias alternativas, mas desentenderam-se sobre as taxas de câmbio aplicadas a moeda chinesa, bem como noutras questões comerciais.

Bonnie Glaser trabalha com um grupo de pesquisas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington.

“Penso que ambos lados perceberam que é difícil gerir as relações e de forma cordial. E com a visita de Hu Jintao prevista para Janeiro próximo, será colocado um grande desafio a ambos os países.”

O Mar do Sul da China, reivindicado pelo governo chinês como parte do seu território, tornou-se num outro ponto de contencioso. Washington ofereceu para mediar as disputas territoriais entre a China e os seus vizinhos do Sudeste Asiático, mas Pequim rejeitou rispidamente a proposta.

Um mês mais tarde, o governo chinês anunciou o envio de um submarino para o extremo sul do Mar Amarelo, assumindo-se assim como o senhor da situação.

A China parece não ter sido afectada pela crise financeira global, e tem reforçado o seu poder na arena internacional.

Cheng Li do Brookings Instituto diz que tanto a China e os Estados Unidos entrada numa escalada perigosa de disputas económicas, que começam a ser encaradas como ameaças recíprocas.

“Quando se começa a pensar que a ameaça chinesa é real, ela acaba por sê-la. Se se pensar que a política americana é anti-chinesa, ou seja que os Estados Unidos querem conter a China, tarde ou cedo isso acabará por acontecer. Vai ser uma realidade. Por isso é um perigo.”

Cheng Li diz que os líderes políticos em ambos os países precisam de aceitar o confronto que coloca o crescimento da China, e adianta que a situação poderá piorar se persistir a incompreensão.

Sophie Richardson é directora da região Asia, da Human Rights Watch.

“ O tipo de progressos que vimos na China, infra-estruturas, económicas e alguma liberdade social, muitos deles são importantes, e é uma clara opção da parte do governo chinês. Mas não tem havido um aumento quantificável de melhorias no que toca aos direitos civis básicos e políticos, e esta é também uma escolha muito clara.”

Enquanto a China vai se crescendo, muitas e grandes são as expectativas, tanto internas como externas. E isto representa, segundo os analistas, uma oportunidade de escolha para o governo chinês, que deverá atender as essas expectativas ou simplesmente as ignorar.

http://www.voanews.com/portuguese/news/12_29_10_us_china_yearender-112617219.html

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