segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

http://www.voanews.com/portuguese/news/12_26_2010_angola_ivorycoast_voanews-112471584.html

O governo angolano desmentiu que forças angolanas estejam a operar na Costa do Marfim ao lado do governo de Laurent Gbagbo.
Num comunicado o governo angolano descreveu as notícias como sendo difamatórias e - segundo disse - inserem-se “ na habitual estratégia de interferência externa nos assuntos do continente”, tendo também como objectivo “manipular uma vez mais a opinião pública para justificar a inevitabilidade da guerra”.
A notícia da presença de forças angolanas na Costa do Marfim tinha sido dada por uma rede de televisão francesa que referiu na altura se tratar de mercenários.
Subsequentemente alguns especialistas disseram que provavelmente se tratava de membros do exército angolano.
No seu comunicado o governo angolano disse estar apreensivo pelo facto de “todas as medidas tomadas até aqui pela comunidade internacional estarem a empurrar a Costa do Marfim irremediavelmente para a guerra”.
Para Angola é “estranho que tenham já sido tomadas medidas radicais e extremas …sem que em primeiro lugar todas as reclamações do próprio pleito eleitoral tenham sido atendidas e devidamente aferidas”.
Angola diz opor-se à guerra como solução do problema que considera pode e deve ser resolvido pacíficamente.
O governo angolano apelou no seu comunicado á União Africana para assumir a responsabilidade da liderança nas tentativas de solução da crise marfinense para se “evitar que o presente conflito resvale irreversivelmente para uma catástrofe humana”.
Entretanto foi anunciado que o Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, e os seus homólogos do Benin e Serra Leoa deslocam-se terça-feira a Abidjan com a missão de convencer Laurent Gbagbo a abandonar o poder na Costa do Marfim.
O anúncio foi feito hoje à tarde à agência de notícias francesa AFP pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Benin.
Na sexta-feira, a CEDEAO avisou Laurent Gbagbo de que irá recorrer à força para afastá-lo da Presidência, caso não passe o poder a Alassane Ouattara.
A generalidade da comunidade internacional, incluindo a ONU e a União Africana, reconhece Ouattara como vencedor das eleições, derrotando o anterior Presidente, Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder.
Segundo os seus seguidores, 745 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas desde o início dos conflitos pós eleitorais, em resultado de ações que atribuem aos apoiantes de Gbagbo.
Entretanto, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados anunciou que cerca de 14 mil marfinenses fugiram para a vizinha Libéria para escapar à onda de violência pós-eleitoral e que alguns estão a ser impedidos de atravessar a fronteira por grupos armados.


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