quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Guerra no Afeganistão "está perdida", segundo Fernando Nobre

Lisboa - O candidato à Presidente da República portuguesa, Fernando Nobre, defendeu hoje que a guerra travada pelas forças da OTAN no Afeganistão "está perdida" e que agora é preciso "ver a melhor maneira de sair de lá".



Fernando Nobre visitou hoje a associação de apoio à antigos combatentes vítimas de stress de guerra APOIAR, em Lisboa, e no final declarou à agência Lusa ter como posição "guerras, nunca mais" e acreditar "que é possível resolver as questões pela via do diálogo, da diplomacia, porque as guerras são sempre de evitar".



Questionado se apoia a participação de forças portuguesas na operação da OTAN no Afeganistão, disse:



"Nós sabemos que a guerra no Afeganistão foi uma guerra desencadeada talvez não pelos melhores motivos. Nós sabemos que a guerra no Afeganistão está perdida".



"Evidentemente, Portugal tem responsabilidades junto da OTAN, de que não se pode eximir. Eu teria preferido que essas guerras nunca tivessem começado. Agora, é ver a melhor maneira de lá sair quanto antes, sabendo à partida que, tanto no Iraque, como no Afeganistão, vão perdurar problemas de fundo que não são solúveis com guerras", completou Fernando Nobre.



Interrogado se pensa que não há qualquer possibilidade de as forças da OTAN vencerem o conflito no Afeganistão, o médico e presidente da Assistência Médica Internacional (AMI) respondeu: "Não, penso que não há".



"Sei do que falo, andei pelo Afeganistão, pelas estradas em Cabul e Jalalabad e sei que uma guerra convencional - e já houve muitos exemplos no passado, com os ingleses, com os soviéticos - não é por aí que se resolvem os problemas. A solução não é a guerra no Afeganistão, a solução é o desenvolvimento prometido e não cumprido, e já é tarde", considerou.



Fernando Nobre assinalou que as guerras não causam apenas danos físicos, mas também psíquicos, e acrescentou: "As guerras, ao fim ao cabo, são talvez, enfim, observáveis no cinema. Outra coisa é ver um amigo rebentar ao seu lado em pedaços, cabeça para um lado, pernas para o outro.



As guerras são algo de extremamente violento, sempre de evitar".



O candidato à Presidente expôs em que circunstâncias enviaria forças portuguesas para cenários de guerra:



"Quando entender que estão em causa os direitos humanos e o adquirir de uma civilização que eu quero que perdure.Evidentemente, as guerras contra regimes fascistas são guerras que se justificam, infelizmente".



"Por vezes, temos de defender o que nos parece justo, para evitar males maiores. Mas uma coisa é certa: darei sempre aos combatentes, os que morrerem e os que regressarem a honra e o reconhecimento que lhes será sempre devido, porque eles estiveram a servir a pátria, e isso não tem preço", prometeu.


http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/2010/11/52/Guerra-Afeganistao-esta-perdida-segundo-Fernando-Nobre,d8021d53-16dc-46a6-8894-770e6995cd35.html

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