quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A Soberania de Cuba deve ser respeitada.



Não muda o caráter revolucionário e socialista de Cuba. Fidel renunciou por condições de saúde. Quarenta e nove anos depois de à frente de um grupo de guerrilheiros ter derrubado a ditadura de Fulgêncio Batista e transformado Cuba num país livre, soberano e que segundo indicativos das Nações Unidas é o sexto do mundo considerado em desenvolvimento com menor índice de miséria e pobreza, alfabetização plena dos cubanos, índice de desemprego de 1,9% e saúde de qualidade excepcional para todos os cidadãos.
O país era uma filial das principais máfias de jogo e turismo dos Estados Unidos e das grandes companhias americanas que exploravam o açúcar principal produto agrícola de Cuba.
Segundo a ONU, em 2003, a mortalidade infantil de Cuba era de 6,2 habitantes para cada 1000 (no Brasil, o índice era de 28,6 por 1000). Dados da Unesco em 2002 relatavam que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% das brasileiras). Em 2006, Cuba obteve a 50ª colocação no ranking de IDH, situada entre os países de alto desenvolvimento humano (o Brasil é o 69º). A mesma pesquisa colocava o índice de analfabetismo cubano em 0,02% da população (no Brasil, a taxa era de 13,7%).

A CIA, central de inteligência americana, que organiza o "World Fact Book", um levantamento anual de dados sobre os países do mundo, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba. No Brasil, segundo a mesma fonte, o índice era de 9,6% no ano passado. Ainda de acordo com o "World Fact Book", a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos -contra uma esperança de 71,9 anos no Brasil.
Esses números a despeito do bloqueio econômico e político imposto pelos Estados Unidos e que hoje existe ainda, mas rompido por países da Europa, o Brasil, a Venezuela (que fornece petróleo) e outros são considerados extraordinários, levando em conta o fato de ser uma pequena ilha, ao alcance de um tiro de canhão disparado de Miami e que resistiu a uma tentativa de invasão norte-americana (Baía dos Porcos, 1961) e a várias outras de assassinato de Fidel Castro orquestradas pela CIA.


A saída de Fidel não muda o cenário e nem significa que Cuba vá se transformar outra vez num bordel de fim de semana de turistas dos EUA.
Há um filme chamado “Cuba”, o ator é Robert Redford, que mostra o que era a ilha no governo ditatorial de Fulgêncio Batista.Sob influência e controle dos sucessivos governos americanos (Fidel atravessou os governos de Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho) a mídia internacional e os governos monitorados desde Washington, tentaram e tentam caracterizar o regime como ditadura.

Valem-se da mágica de tentar transformar o modelo “democrático” dos EUA e outros países em verdade absoluta. Desconhecem e não querem que seja conhecido o amplo processo de participação popular a partir de conselhos, assembléias regionais, estaduais, até chegar a Assembléia Nacional que, agora, deverá escolher o novo presidente do país. Ao afirmarem a existência de um único partido, o Partido Comunista Cubano, deixam de lado o fato de que qualquer cidadão independente de ser filiado ou não pode ser eleito e muitos o foram nas últimas eleições, no último trimestre do ano passado.

O jornal brasileiro FOLHA DE SÃO PAULO, de notório vínculo com a FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo), numa análise sobre o governo de Fidel, entre outros pontos, afirma o seguinte: “Organizando mutirões para a construção de casas para os sem-teto, de escolas e hospitais, assim como priorizando agricultura, saúde e educação, em um sistema planificado pelo Estado, o regime de Fidel logrou, ao longo dos anos, índices sociais invejáveis ao mesmo tempo em que restringia e nivelava por baixo o acesso a bens de consumo. Se durante muitos anos houve falta de produtos -as cubanas usavam o papelão de rolos de papel higiênico como bobes para cachear seus cabelos, por exemplo-, a miséria, as favelas e o analfabetismo foram praticamente erradicados”.

E a própria CIA não consegue esconder a realidade: “De acordo com a CIA, que reconhece ter organizado atentados à vida de Fidel e tentativas de invasão de Cuba na década de 1960, os índices de criminalidade e de tráfico de drogas na ilha são "muito baixos".

A brasileira Cláudia Furiatti, professora e biógrafa de Fidel, numa de suas abordagens diz o seguinte: “A brasileira Claudia Furiati, biógrafa de Fidel, em entrevista à revista "Aventuras na História", também relata as dificuldades inerentes ao desmoronamento do comunismo. "Eles tiveram que fazer quase que uma revolução agrícola para poder suprir o que vinha de fora e fora cortado. Também abriram um pouco a economia para o capital estrangeiro em alguns setores como turismo, petróleo e açúcar. Essa associação sempre foi feita mantendo o critério de benefício para o povo cubano: as parcerias eram boas para quem se associava, mas sempre melhores ainda para Cuba".

É ridículo o relatório da Anistia Internacional sobre direitos humanos em Cuba. A organização exime-se de analisar o campo de concentração de Guantánamo, território cubano transformado em base militar dos EUA e onde estão presos seqüestrados em várias partes do mundo por serem contrários ao regime de Washington.

“Castro costumava dizer que não há registro de torturas nem de execuções extrajudiciais em suas quase cinco décadas de poder - em cada caso considerado mais grave, os 31 membros do Conselho de Estado deveriam votar pela pena de morte para que ela fosse aplicada. Afirmava também que um pequeno país como Cuba, contrariando interesses da maior superpotência do planeta, precisava se proteger de todas as formas. E, por fim, alegava que nenhum indivíduo jamais foi aprisionado por suas idéias, mas, sim, por seus atos contra o regime”.

E a própria FOLHA DE SÃO PAULO:“Os índices sociais logrados pelo regime são ainda mais impressionantes face ao embargo econômico norte-americano, endurecido ao longo dos anos e vigente até hoje, e à situação difícil em que o país ficou após o colapso da União Soviética, em 1991. Subitamente, não havia mais um parceiro econômico poderoso a subsidiar a economia da ilha

O maior feito de Fidel terá sido o de mostrar ao mundo, numa pequena ilha investida de dignidade e coragem, que um outro mundo é possível, onde o ser humano seja a essência. E nunca o objeto, ou a bola da vez na podridão do mundo capitalista.
É célebre o episódio da visita de João Paulo II a Cuba. O papa cumpria um cronograma estabelecido pelas alianças do Vaticano com o governo dos EUA para desestabilizar governos contrários aos interesses norte-americanos. Figura controvertida, com um discurso para fora e um para dentro, aliado incondicional dos EUA, João Paulo II chegou a Cuba pretendendo “repreender” Fidel por não “alinhar-se com a democracia”, a dos que lhe financiaram bem entendido.

No aeroporto de Havana ouviu do líder cubano que milhões de crianças dormiriam nas ruas do mundo naquela noite e nenhuma delas era cubana. João Paulo II sentiu ali que a imagem construída em torno de si não daria resultados ali. O garoto propaganda do capitalismo teria que se render a um fato: estava numa nação livre e soberana, onde o povo era e é o dono de sua vontade. Não conseguiria nem iludir e nem transformar suas mentiras organizadas por marqueteiros em “verdade”.

Fidel Castro é o exemplo de líder que ao longo dos anos se mantém fiel a seus compromissos e convicções e afirmou há poucos dias que essa lição aprendeu de seu amigo Oscar Niemeyer, comunista e que, recentemente teve inaugurado em Havana um monumento à revolução. Disse Niemeyer – “o importante é ser coerente sempre”.

Castro foi responsável por ajudar a luta do povo angolano pela libertação do jugo português e pela resistência às tentativas de grupos terroristas financiados pelos Estados Unidos para derrubar o governo legítimo de Angola. Trinta e cinco mil voluntários cubanos e de várias partes do mundo foram lutar em Angola.

O caráter romântico e libertador da revolução cubana inflamou os povos latinos americanos e levou o governo dos EUA a financiar e organizar golpes e ditaduras militares em quase todos os países dessa parte do mundo, inclusive no Brasil, na tentativa de evitar que governos populares, ou movimentos populares ampliassem a libertação do jogo econômico e político dos EUA (operação Condor )

A figura lendária do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara foi o maior exemplo dessa luta não só na América Latina, mas no Congo, em outros países da África e até hoje luta e resiste a última guerrilha fundada por Che.
O ELN – Exército de Libertação Nacional – na Colômbia, país governado pelo narcotráfico. Foi esse caráter libertador, internacionalista e capaz de transformar uma “colônia” norte-americana num país livre e senhor dos seus destinos, a partir de seu povo que levou figuras de porte mundial como Gabriel Garcia Márquez, Jean Paul Sartre, Oscar Niemeyer e outros a se transformarem em vozes contra o terrorismo real dos Estados Unidos.

A revolução permanece, não é de um homem, embora tenha a sua estatura de estadista. É de um povo.
Os especialistas consideram que o governo de Bush e os próximos governos norte americanos devem investir em tentar conquistar a juventude cubana, tal e qual fizeram em alguns países do leste da Europa após o fim do comunismo, através da difusão do mundo do consumo.O leste europeu hoje é um dos paraísos dos traficantes e com os mais altos números de jovens viciados em drogas. É o modelo dos EUA.

Raul Castro, irmão e camarada desde os primeiros momentos, deve suceder a Fidel que, mesmo renunciando permanece como referência e ponto de convergência da liberdade e da soberania de Cuba.

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