sábado, 20 de setembro de 2008

Zimbabwe : Desacordo Sobre Elenco do Governo



Por Paulo Oliveira 19/09/2008

No Zimbabwe, o primeiro encontro dos três dirigentes que rubricaram o acordo de partilha do poder terminou num impasse.
Não conseguiram chegar a acordo sobre a composição do elenco para o novo governo.
O presidente Robert Mugabe, o primeiro ministro indigitado Morgan Tsvangirai , e o vice primeiro ministro designado Arthur Mutambara reuniram pela primeira vez após a assinatura do acordo de partilha do poder.
Esperava-se que anunciassem, no final do encontro, os nome dos elementos do gabinete de 31 individualidades o que não aconteceu.
Eddie Cross o coordenador de política da principal facção do Movimento para a Mudança Democrática liderada por Morgan Tsvangirai revelou não ter sido possível um acordo devido ao facto da ZANU-PF insistir em manter o controle da totalidade dos ministérios chave incluindo a defesa e as finanças.
'Eles não têm ninguém que possa recuperar o ministério das finanças, não tem ninguém que seja aceitável na comunidade internacional, quem possam colocar no ministério das finanças encontra-se ainda sujeito às sanções internacionais aplicadas contra indivíduos e por isso consideramos que o ministério das finanças deve ser entregue ao MDC, e não consideramos que seja negociável. Querem a defesa e nos indicamos que se desejam a defesa nos queremos o ministério do Interior, o que é justo; continuam a querer o ministério do Interior, manter a policia e nos consideramos que tal não pode acontecer. '
Cross acrescentou que o ministério do governo local constitui igualmente motivo de disputa. E segundo ele 80 por cento dos concelhos no Zimbabwe são dirigidos pelo MDC, por isso o partido deve controlar o ministério.
Segundo ainda a mesma fonte a situação foi endereçada as equipas de mediação dos três partidos para tentarem chegar a um acordo, que se devem encontrar no sábado e no domingo.
No entanto no caso de as equipas chegarem a acordo, sublinha Cross, os zimbabuanos terão de esperar que Mugabe regresse de Nova Iorque aonde foi participar da Assembleia Geral da ONU, até que o governo seja formado.
Cross desmente que a ausência de acordo constitua um impasse.
'Não constitui um impasse em si mesmo, pois constitui apenas arrastar dos pés por parte da ZANU-PF que se recusa a admitir os fundamentos. Iremos resolver a situação e teremos, esperamos um governo até a próxima sexta feira. '
A assinatura do acordo seguiu-se a sete semanas de conversações que se seguiu à segunda volta do sufrágio presidencial, a 27 de Junho, em que Mugabe foi o único candidato.
Tsvangirai que tinha ultrapassado Mugabe na primeira volta, mas não tinha obtido a maioria necessária para evitar uma segunda volta, retirou se da corrida argumentando com a onda de violência contra os seus apoiantes.
Os analistas encaram a composição do governo como sendo a chave para desbloquear a assistência que a comunidade internacional tinha prometido ao Zimbabwe para que a sua economia – outrora uma das mais fortes da região sub saariana, volte a funcionar.
Mais de 80 por cento da força laboral encontra-se desempregada, a inflação é a mais alta do mundo e os bens alimentares básicos, o combustível e a energia são bens muito escassos.

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